Mães das vítimas de Beslan pedem a reabertura das investigações

Moscou, 3 set (EFE).- A organização A Voz de Beslan, que reúne as mães das crianças mortas no massacre da escola da Ossétia do Norte, pediram hoje a reabertura das investigações do caso, a concessão do estatuto de vítimas do terrorismo e de subsídios no quinto aniversário do massacre terrorista.

EFE |

"Chegou a hora de tirar conclusões. O Kremlin não pode seguir ignorando estas três reivindicações", assegurou a Efe a presidente do grupo, Ella Kesayeva.

Kesayeva insiste em que as famílias seguem responsabilizando às autoridades pelas mortes das 334 pessoas - 186 delas crianças - no dia 3 de setembro de 2004 após o sequestro da escola Nº1 por parte de um comando terrorista checheno.

"A reabertura do caso aplacaria nossa dor. Com certeza", disse Kesayeva, que foi na terça-feira e também irá hoje às ruínas do ginásio da escola para lembrar seus dois sobrinhos mortos no massacre.

Também insiste na necessidade que se aprove por lei o estatuto de vítimas do terrorismo, figura legal que já existe em outros países.

"A atitude do Governo federal é incompreensível. Não só não se responsabilizam por não haver prevenido os atentados, mas também não tomam nenhuma medida para superar suas seqüelas", apontou.

Em sua opinião, a aprovação dessa lei aplainaria o caminho para a aprovação de um programa federal de ajudas aos familiares das vítimas.

"Os familiares só receberam 100 mil rublos (cerca de US$2 mil euros) em 2004. Minha irmã perdeu seu marido e seus dois filhos, e ninguém a ajuda", disse.

A ativista assegurou que o Kremlin não respondeu ao pedido por escrito enviado por sua organização para que as receba o presidente russo, Dmitri Medvedev.

As 254 mães que assinaram a carta denunciam que os familiares das vítimas se encontram em um penoso estado moral e psíquico, enquanto os sequestrados que salvaram sua vida ainda sofrem as consequências dos ferimentos.

Kesayeva pediu em 2008 à procuradoria russa que abrisse um processo penal contra o atual primeiro-ministro e então presidente da Rússia, Vladimir Putin, por "assassinato, excesso no uso da força, abuso de poder e negligência" em sua gestão da crise de reféns.

"Ainda tenho esperança que Medvedev atenda nossos pedidos", disse.

"A Voz de Beslan" também apresentou perante o Tribunal Europeu de Direitos Humanos de Estrasburgo uma acusação formal contra o Estado russo por "violar os direitos dos reféns antes e depois do atentado".

Uma comissão parlamentar inocentou em dezembro de 2006 de toda responsabilidade às autoridades russas no massacre, dizendo que nem o Exército, nem o Ministério do Interior, nem os serviços de segurança se excederam no uso da força.

As 52 horas de sequestro da escola de Beslan terminaram com uma confusa operação de assalto na qual morreram um quarto dos reféns, todos os terroristas e vários agentes de segurança. EFE io/fk

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG