Uma juíza britânica que escreveu um bestseller autobiográfico contando os abusos que teria sofrido na infância está respondendo a um processo de difamação movido pela própria mãe. A mãe, Carmem Briscoe-Mitchell, entrou com o processo contra a filha depois de ter sido acusada, em um livro de memórias, de abuso e negligência.

Constance Briscoe, advogada e uma das primeiras mulheres negras a atuar também como juíza na Grã-Bretanha, fez as alegações contra a mãe no livro de memórias Ugly (Feia, em tradução livre), publicado em janeiro de 2006.

No livro, que se tornou um sucesso de vendas, Briscoe, de 51 anos, afirma que a mãe, hoje com 73 anos, batia e cuspia nela e a deixava sem comida durante sua infância.

Briscoe também diz, em suas memórias, que a mãe havia "beliscado e esmurrado" seus seios e que também sofria abusos nas mãos de seu padrasto.

Briscoe-Mitchell, uma jamaicana que imigrou para a Grã-Bretanha nos anos 50, diz que as alegações da filha são "ficção".

Na abertura do processo na segunda-feira, o advogado da mãe, William Panton, disse aos jurados da Alta Corte, em Londres, que, segundo sua cliente, os incidentes narrados no livro nunca aconteceram.

Briscoe-Mitchell está processando a filha e a editora Hodder and Stoughton, que publicou o livro de memórias.

Segundo Panton, o livro traz acusações sérias de atos criminosos e que os acusados devem provar que eles realmente aconteceram.

O advogado também questionou se é possível confiar na memória de Briscoe, que relata, entre outros, eventos que teriam acontecido quando ela tinha de 5 a 12 anos.

O julgamento deve durar cerca de dez dias.

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