Uma irlandesa de 40 anos de idade foi condenada a sete anos de prisão por incesto, ataques sexuais, mau tratamento e negligenciar seus filhos, no primeiro caso do tipo na República da Irlanda. A juíza Miriam Reynolds, que ditou a sentença, disse que a ré destruiu a vida de seus seis filhos que do momento em que nasceram, não conheceram nada a não ser crueldade e negligência.

A acusada recebeu a pena máxima prevista no país para casos de incesto cometido por mulheres, de sete anos de prisão, uma pena relativamente branda comparada com a punição máxima para casos de incesto cometido pelo pai, que é prisão perpétua.

A juíza apontou para o fato de esta ter sido a primeira condenação de uma mulher por incesto no país. A lei, segundo Reynolds, foi criada há 101 anos, em uma época em que não se previa que o crime pudesse ser cometido por uma mãe.

Ao impor a sentença, na Corte do Circuito de Roscommon (a noroeste de Dublin), a juíza disse que qualquer possibilidade de uma vida normal e feliz foi roubada das seis crianças no centro do caso, por uma "mulher que se identifica como mãe deles".

Depoimento
A ré se declarou culpada das acusações, evitando que seus filhos tivessem que prestar depoimento, mas o filho mais velho, de 19 anos, testemunhou sobre os abusos, concluindo que jamais iria perdoar a mãe.

A identidade da mulher permanece em sigilo para proteger as crianças.

Os filhos deixaram a casa em 2004, por causa de denúncias a assistentes sociais.

Segundo a imprensa irlandesa, a casa em que viviam era imunda, com infiltrações, cheia de ratos e camundongos mortos e freqüentemente sem comida. As crianças estavam sempre sujas e maltrapilhas.

Na escola, elas quase não tinham amigos e eram motivo de piada. Segundo os jornais, os casos de infestação por piolho eram tão graves que os insetos eram vistos nos rostos das crianças.

A mãe é alcoólatra e teria invadido o quarto do filho de 13 anos - o segundo mais velho - em 2004, obrigando o menino a manter relações sexuais com ela.

A juíza disse que a mulher deitou uma "longa e escura sombra" sobre a vida das crianças e afirmou não saber como elas conseguiriam viver no futuro.

Uma das filhas da ré já teria falado em suicídio, diz a imprensa.

Serviços sociais estavam em contato com a família desde 1996, mas em 2004, o filho mais velho saiu de casa depois de detalhar a negligência sofrida pelas crianças.

No mesmo ano, todas as crianças foram retiradas da casa e colocadas sob os cuidados de famílias adotivas, e em 2006 o filho detalhou pela primeira vez às autoridades o incesto sofrido depois que o irmão saiu de casa.

A mãe foi presa dois meses depois.

Segundo o advogado de defesa Bernard Madden, a ré queria pedir desculpas aos filhos pelos erros e por seu papel em destruir a vida deles.

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