Mãe de refém das Farc recebe restos de filho sequestrado há 12 anos

Bogotá, 1 abr (EFE).- Após quatro anos de muita luta, Emperatriz de Guevara recebeu hoje na cidade colombiana de Villavicencio os restos mortais de seu filho, o major da Polícia Julián Ernesto Guevara, morto durante seu cativeiro, sequestrado pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) desde 1998.

EFE |

Uma comissão humanitária composta pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), a Igreja Católica e o coletivo Colombianos e Colombianas pela Paz (CCP) foi a encarregada de receber das mãos das Farc os restos mortais do oficial em Miraflores, departamento de Guaviare (sul).

"Hoje se cumpriu o objetivo. Mas não era o que eu queria, que era trazê-lo vivo", disse a mãe à imprensa em Bogotá, aonde chegou após receber os restos de seu filho.

Com a voz entrecortada, pediu à mediadora com as Farc que continue trabalhando para conseguir a liberdade de outros 22 soldados e policiais em poder da guerrilha nas selvas colombianas.

"Quero dizer à senadora Piedad Córdoba que precisamos trazer os outros 22 heróis da pátria e muitos outros civis que estão cativos na floresta", disse.

No aeroporto militar de Catam e cercada por seus filhos, dona Emperatriz ressaltou que a tarefa da mediadora Piedad Córdoba ainda "não terminou", e pediu mais união nos esforços para enfrentar "esse árduo trabalho, para que não exista nem um só colombiano sequestrado".

Piedad Córdoba definiu a missão como "cumprida", e acrescentou que os guerrilheiros presentes na entrega dos restos de Guevara lhe renderam "honras militares" e o qualificaram como um "herói de guerra".

Assinalou que os restos mortais de Guevara chegaram no mesmo caixão no qual as Farc os entregaram.

Além disso, afirmou que a devolução dos restos do oficial "é muito melhor" do que o que acontece com os desaparecidos na Colômbia.

Piedad Córdoba reiterou que a paz na Colômbia será conquistada por meio da negociação política, e reafirmou que a troca de guerrilheiros presos por sequestrados em poder das Farc deve acontecer durante o restante do Governo Álvaro Uribe.

O alto comissário para a Paz, Frank Pearl, assinalou que "as Farc não fizeram nenhum favor" com a entrega dos restos de Guevara, e criticou a incomum cerimônia de "honras militares" que lhe renderam.

"Em primeiro lugar, nunca deveriam seqüestrá-lo, e, em segundo lugar, deveram permitir sua libertação para que ele não tivesse morrido por causa de sua doença", ressaltou Pearl.

O alto comissário reivindicou ainda a libertação dos outros 22 militares e policiais que ainda estão em poder das Farc.

Em nome do Governo colombiano, agradeceu ao CICV, à Igreja Católica, ao Brasil e à CCP pelas gestões realizadas nesta operação, que permitiram o retorno do soldado Josué Daniel Calvo e do sargento Pablo Emilio Moncayo, assim como e a devolução dos restos de Guevara.

O CICV assinalou em comunicado que "as três missões humanitárias desta semana foram possíveis graças ao apoio do Governo do Brasil, do Governo e da Polícia da Colômbia, dos membros da Comissão de Colombianos e Colombianas pela Paz, da Igreja e das Farc".

Os restos de Guevara passaram ao Corpo Técnico de Investigação (CTI) da Promotoria, que vai custodiá-los até entregá-los ao Instituto de Medicina Legal, que corroborará se correspondem ao uniformizado.

Com a entrega dos restos de Guevara e a libertação de Calvo e de Moncayo, as Farc fecham a entrega unilateral e colocam ao Governo do presidente Uribe a troca de guerrilheiros presos, incluindo dois extraditados aos Estados Unidos, pelos militares e policiais que seguem em seu poder.

Uribe disse anteriormente que o Governo facilitou libertações, fez resgates e "não se opõe ao acordo humanitário, mas desde que não envolva a libertação de criminosos das Farc".

O presidente colombiano acrescentou que a troca de reféns por presos não deve fortalecer a "capacidade criminosa" das Farc. EFE ocm/mh

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG