Mãe de menina morta por afogamento se recusa a depor na Itália

A brasileira Simone Moreira, de 22 anos, presa na Itália desde sábado sob a acusação de ser responsável pela morte da filha, Giuliana Favaro, de 2 anos, se recusou a responder às perguntas dos investigadores nesta quarta-feira. Seguindo orientação dos advogados, Moreira valeu-se do direito de não responder, garantido por lei, e não deu respostas às perguntas do juiz responsável pela audiência, Umberto Dona.

BBC Brasil |

A brasileira foi levada do presídio de Belluno, no norte da Itália, onde esta detida desde sábado, ao Palácio de Justiça de Treviso logo cedo para o interrogatório, mas deixou o prédio minutos depois.


Simone Moreira e seu ex-marido Michele Favaro, em foto de arquivo / AE

Na saída do tribunal, os advogados de Simone não fizeram declarações à imprensa.

"Simone está em estado de choque", informaram funcionários do consulado do Brasil em Milão que acompanham o caso.

O consulado tem contato apenas com os advogados da brasileira, sobretudo para fornecer a documentação necessária para que ela possa usufruir da defesa gratuita.

Visita na prisão

O cônsul brasileiro em Milão, embaixador Luis Henrique da Fonseca, no entanto, obteve nesta quarta-feira autorização do procurador de Treviso para visitar Simone no presídio de Belluno.

"Esta autorização, obtida graças à intervenção pessoal do embaixador, foi até uma surpresa para nós, porque não é comum", disse um funcionário do consulado à BBC Brasil. A visita devera ocorrer na quinta ou na sexta-feira.

"Sabemos que ela está sendo bem tratada no presídio de Belluno, mas é sempre bom a gente dar uma olhadinha", comentou o funcionário.

Conforme informações do consulado, os advogados de Simone devem pedir a libertação da brasileira até o fim de setembro.

Os defensores acreditam que não existem provas suficientes para justificar a permanência dela na prisão.

Na avaliação do procurador da República de Treviso, Antonio Fojadelli, no entanto, Simone Moreira é responsável pela morte da filha.

Giuliana Favaro morreu na quarta-feira passada na cidade de Oderzo, na região de Treviso, no norte da Itália, ao cair no rio Monticano.

Asfixia por afogamento

A morte foi decorrente de "asfixia por afogamento", segundo dados preliminares da autópsia, cujo resultado oficial será divulgado na semana que vem.

O procurador não acredita na versão fornecida pela mãe da menina de que a morte teria sido um acidente.

Ao falar com seu advogado no domingo, Simone teria repetido que a morte da filha foi um acidente, como já havia dito em seu primeiro depoimento à policia, na noite de quarta-feira.

Simone teria afirmado que estava com a filha no colo, mas a teria posto no chão para buscar os sapatos no carro e ver se havia mensagens no celular. Quando voltou, Giuliana tinha desaparecido.

O funeral de Giuliana Favaro deve acontecer nesta quarta-feira, na cidade de Ponte de Piave, na Itália.

A cerimônia será celebrada na paróquia da cidade, que fica próxima a Vigonovo, onde Giuliana morava com o pai, o italiano Michele Favaro, que ficou com a guarda da menina após se separar de Simone.

Um cartaz com o anúncio da data do funeral foi afixado nas ruas de Vigonovo nesta terça-feira. Nele, o pai pede a quem participar da cerimônia que use roupa azul, a cor preferida de Giuliana.

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