Mãe de Jean Charles critica decisão de júri sobre morte do brasileiro

LONDRES - Maria Otoni de Menezes, mãe do brasileiro Jean Charles de Menezes, criticou hoje o inquérito público sobre a morte do eletricista, depois que foi negada ao júri a opção de se pronunciar sobre o veredicto de homicídio injustificado.

EFE |

Ao término de sete dias de deliberações no estádio de críquete em Oval, sul de Londres, o júri optou hoje pelo "veredicto aberto", no qual deixa claro que não foi homicídio justificado, como era a outra possibilidade dada pelo juiz.

Em declarações à imprensa, Maria Otoni de Menezes assegurou que a família continuará lutando para conseguir que se faça Justiça pelo filho, morto a tiros em 22 de julho de 2005 na estação de metrô de Stockwell, sul da capital britânica, por agentes que o confundiram com um terrorista suicida.

"Não acredito em nada do que disseram", afirmou a mãe, em relação às declarações feitas no inquérito público pelos agentes que atiraram no brasileiro, que tinha 27 anos. "Depois da morte de Jean, começaram a nos contar mentiras. Como mãe, eu queria saber a verdade de por que mataram um homem inocente", afirmou.

"Eu queria estar aqui para ver com meus próprios olhos, escutar por si própria, porque queria saber tudo o que aconteceu nesse dia", disse.

"O mais difícil de escutar na investigação foi quando o policial disse que atirou em Jean três vezes e seu colega disparou seis" vezes no brasileiro, contou.

O juiz da investigação, Michael Wright, tinha negado ao júri a opção de homicídio injustificado e lhe deu duas únicas opções, o homicídio justificado ou veredicto aberto, algo duramente criticado pela família.

Jean Charles foi morto a tiros um dia depois dos atentados frustrados de 21 de julho de 2005 contra três trens do metrô de Londres e um ônibus urbano.

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