Mãe absolvida de matar filha é condenada por falso testemunho nos EUA

Casey Anthony havia sido acusada de sufocar filha de 2 anos; apesar de sentença de 4 anos de prisão, ela será solta na 4ª-feira

iG São Paulo |

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A mãe solteira Casey Anthony é vista em corte antes do anúncio da sentença em Orlando, Flórida
A mãe solteira Casey Anthony, de 25 anos, foi sentenciada a quatro anos por mentir aos policiais que investigavam a morte de sua filha de 2 anos em 2008. A sentença foi dada dois dias depois de ela ter sido absolvida na terça-feira da acusação de desaparecimento e assassinato doloso da menina Caylee, o que poderia ter causado a sentença de pena de morte se ela tivesse sido condenada.

Horas após o anúncio da condenação, um porta-voz judicial afirmou que Casey será libertada na próxima quarta-feira, 13 de julho, segundo a rede de TV CNN. A decisão foi tomada porque Casey recebeu créditos pelo tempo que já serviu na prisão antes do julgamento e por bom comportamento enquanto esteve encarcerada. A americana passou quase três anos presa aguardando julgamento.

O caso em Orlando, Flórida, cativou os EUA ao ser transmitido na televisão nacional desde o momento em que se informou do desaparecimento da criança, cujo corpo foi encontrado em um bosque seis meses depois do crime. Um médico forense nunca conseguiu determinar a causa da morte.

Na terça-feira, depois da leitura do veredicto que a absolveu da acusação de assassinar sua filha, Casey chorou. A decisão do júri popular, que só resolveu condená-la em quatro acusações de falso testemunho, foi alcançada após menos de 11 horas de deliberação durante dois dias.

A absolvição da americana provocou uma verdadeira comoção nos Estados Unidos, expressa em programas de TV e em redes sociais na internet. O julgamento foi acompanhado passo a passo pelos americanos ao longo das últimas seis semanas, em um dos casos policiais de maior repercussão no país nos últimos anos. Muitos analistas chegaram a comparar o júri que inocentou Casey ao do caso do jogador de futebol americano O.J. Simpson, absolvido da acusação de matar a mulher em 1995.

Casey havia sido acusada pela promotoria de ter cometido o crime na Flórida e de ter afirmado que a criança havia sido sequestrada pela babá. Ela foi acusada de ter sufocado Caylee colocando fita adesiva sobre sua boca e seu nariz e de ter jogado o corpo em decomposição em um bosque perto de sua casa, em Orlando, após circular por vários dias com ele no bagageiro do carro.

Caso

O caso, recheado de detalhes surpreendentes e versões conflitantes, é objeto frequente de discussões em talk shows, lidera listas de notícias mais lidas em vários portais americanos na internet e aparece seguidamente entre os assuntos mais discutidos no Twitter nos Estados Unidos.

Os ingressos para acompanhar o julgamento ao vivo foram disputados diariamente por centenas que passaram horas em filas na porta do tribunal em Orlando.

Um dos detalhes mais discutidos do caso foi a divulgação de fotos de Casey se divertindo em festas com amigos durante o período no qual a filha estava supostamente desaparecida. Em julho de 2008, supostamente mais de um mês depois do assassinato, a mãe de Casey a denunciou à polícia por não deixá-la ver a neta. Cindy Anthony também relatou ter sentido um odor forte no carro da filha.

Inicialmente, Casey afirmou que Caylee havia sido sequestrada por uma babá. Seus pais chegaram a contratar investigadores particulares para procurar a neta, mas os restos em decomposição da menina foram encontrados após vários meses, em dezembro de 2008, depois que um funcionário de uma empresa de verificação de medidores de energia relatou ter visto algo suspeito no bosque em Orlando.

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Mulher protesta do lado de fora de corte durante leitura da sentença da mãe solteira Casey Anthony, na Flórida
Após ser acusada pelo crime, Casey mudou sua versão, dizendo que a filha morreu afogada acidentalmente na piscina de casa e não reportou a morte por medo. Segundo a defesa de Casey, ela teria entrado em pânico e teria escondido a morte da filha com a ajuda do pai, George Anthony, avô da criança.

Repercussão

Após o veredicto na terça-feira, o advogado de defesa Jose Baez criticou a pena de morte que havia sido solicitada pela Promotoria no caso e denunciou a imprensa por supostamente ter "condenado" Casey em matérias e reportagens antes mesmo da decisão judicial.

Baez disse também que a decisão é importante para as pessoas entenderem que “não se pode condenar alguém até essa pessoa ir à corte”. “Ao mesmo tempo em que estamos felizes por Casey, não há vencedores”, afirmou Baez ao dizer que houve justiça para Caylee e Casey, já que a acusada não matou sua filha. “Hoje nosso sistema de Justiça não desonrou a memória de Caylee com uma falsa condenação”, acrescentou.

Já o procurador Lawson Lamar se mostrou descontente. “Estamos desapontados com o veredicto hoje (terça-feira) porque sabemos dos fatos e colocamos, absolutamente, toda evidência que existe”, disse ao lamentar a falta de provas para reconstituição.

Para Ti McLeod, que vive perto da família Anthony, a Justiça falhou no caso. Jodie Ickes, que mora perto de Casey e costuma frequentar o mesmo cabelereiro, segundo a Associated Press, disse ser contra a pena de morte e estava feliz pela acusada não ter sido condenada à execução.

*Com BBC e AP

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