ATENAS - Um jovem ficou ferido e outras três pessoas foram detidas em Atenas após uma madrugada de contínuos enfrentamentos entre jovens radicais e as forças da ordem.

Segundo informa hoje a imprensa local, cerca de 200 jovens que se tinham refugiado na Escola Politécnica de Atenas enfrentaram durante toda a noite as forças da ordem desdobradas nos arredores para vigiar o local. Os jovens prometeram mais protestos nos próximos dias

Um dos manifestantes ficou levemente ferido e foi encaminhado a uma clínica, três pessoas foram detidas e um automóvel foi destruído.

AP
Manifestantes usam coquetéis Molotov contra os policiais

A Politécnica está situada no bairro de Exarhia, onde aconteceu no sábado passado o detonante do atual levante popular com a morte de um adolescente de 15 anos baleado por um policial.

Os radicais foram dispersados pela Polícia com gás lacrimogêneo.

No porto de Salônica, no norte da Grécia, também foram registrados nas últimas horas distúrbios, e dois automóveis foram destruídos.

Mais protestos

Professores e estudantes universitários e do ensino fundamental convocaram uma manifestação em Atenas para a próxima sexta-feira e mais protestos são esperados para a semana que vem.

"O governo mostrou que não pode lidar com isso. Se a polícia começar a impor a lei, todos dirão que a junta militar está de volta", disse o eletricista Yannis Kalaitzakis, 49.

Muitas pessoas estão irritadas com o fato de o policial de 37 anos, acusado da morte do adolescente, não ter expressado remorso aos investigadores na quarta-feira. Ele disse que deu tiros de alerta em auto-defesa, que ricochetearam e mataram o jovem.

Epaminondas Korkoneas e seu parceiro, acusado de cúmplice, foram presos para aguardar por julgamento na quarta-feira. Geralmente os tribunais gregos levam meses para começar a julgar casos.

O primeiro-ministro Costas Karamanlis, que anunciou apoio financeiro para centenas de empreendimentos danificados nas manifestações, deve viajar para Bruxelas para um encontro da União Européia na quinta-feira, enquanto o governo grego tenta seguir trabalhando normalmente.

Karamanlis e o líder da oposição, George Papandreou, fizeram apelos pelo fim da violência, que abalou 10 cidades gregas e danificou centenas de milhões de euros em propriedades. Gregos também protestaram em Paris, Moscou, Berlim, Londres, Roma, Haia, Nova York, Itália e Chipre.

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