O ministro espanhol das Relações Exteriores, Miguel Angel Moratinos, afirmou nesta quarta-feira que nenhum avião com presos da base militar americana de Guantánamo fez escala na Espanha em vôos secretos da CIA.

O ministro socialista garantiu ao Congresso espanhol que o governo precedente, do conservador José María Aznar, autorizou pousos de emergência de aviões militares americanos com origem ou destino a Guantánamo, mas que "não houve escalas no território espanhol de vôos com prisioneiros talibãs ou da Al-Qaeda, segundo as informações de que dispomos".

Moratinos lembrou que 11 vôos americanos procedentes ou com destino a Guantánamo fizeram escala entre janeiro de 2002 - sob o governo Aznar - e novembro de 2006, dois anos após a chegada ao poder dos socialistas, mas garantiu que nenhum destes aviões transportava presos.

O jornal El País publicou recentemente um documento de 10 de janeiro de 2002 sobre um pedido dos Estados Unidos ao governo espanhol para realizar este tipo de escala na Espanha.

"Os EUA vão iniciar, muito em breve, vôos para levar prisioneiros talibãs e da Al-Qaeda do Afeganistão à base de Guantánamo, em Cuba", diz o documento firmado por Miguel Aguirre de Carcer, então encarregado da América do Norte da chancelaria espanhola.

No mesmo documento, enviado ao então chanceler espanhol, Josep Piqué, o diplomata defende uma resposta positiva a escala destes vôos na Espanha.

Moratinos destacou que este documento não está em qualquer arquivo de seu ministério.

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