Madoff foi investigado pelo menos 8 vezes em 16 anos

Nova York, 5 jan (EFE).- A firma de investimento de Bernard Madoff foi investigada em pelo menos oito ocasiões em 16 anos pelos reguladores americanos, devido às suspeitas que despertava seu funcionamento, publicou hoje o The Wall Street Journal.

EFE |

Segundo o jornal, a Comissão da Bolsa de Valores dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês) seguiu a pista de vários e-mails enviados por um fundo de Nova York que classificavam como "muito incomuns" as práticas da Bernard L. Madoff Investment Securities.

Madoff cumpre prisão domiciliar em sua casa de Manhattan desde que foi detido, em 11 de dezembro, por agentes do FBI, aos quais, segundo a documentação judicial, ele próprio confessou ter criado uma pirâmide financeira que chegou a US$ 50 bilhões, possivelmente a maior fraude deste tipo jamais descoberta.

O jornal indica que a Autoridade Reguladora da Indústria Financeira, organismo que controla as operações de todos os corredores de bolsa e agentes de mercado que operam no país, alertou no ano passado que algumas partes da companhia pareciam não ter clientes.

Além disso, a SEC se dirigiu diretamente ao agente financeiro em pelo menos duas ocasiões para fazer algumas perguntas sobre seu negócio.

"No entanto, os reguladores nunca estiveram perto de descobrir o suposto esquema de pirâmide de US$ 50 bilhões que os investigadores acham agora que se iniciou na década dos 70", acrescenta "The Wall Street Journal".

A primeira das investigações a que se refere o jornal data de 1992, quando a SEC denunciou dois contadores da Flórida por vender ações sem registrar as transações, no que geraram rentabilidades de 13% e de 20%.

Então, a entidade pensou ter descoberto uma fraude de US$ 440 milhões, mas, ao não encontrar investidores que tivessem sido prejudicados, determinou que não havia fraude.

Desde então, pelo menos em outras sete ocasiões se averiguaram as atividades de Madoff, mas nenhuma autoridade foi capaz de encontrar nenhum crime, assegura a publicação.

Todos estes erros na hora de detectar a fraude se estudarão hoje em uma audiência que acontecerá no Congresso dos Estados Unidos.

Entre os convocados a depor, destaca-se o diretor do escritório de auditorias da SEC, David Kotz, que no mês passado foi designado pelo presidente da agência, Christopher Cox, para investigar o caso.

"Os inspetores da SEC pareciam estar buscando nos lugares adequados e, mesmo assim, não foram capazes de desmascarar a fraude", diz o jornal, ressaltando que não ter detectado a fraude também é uma "vergonha" para Mary Schapiro, a máxima responsável da Autoridade Reguladora da Indústria Financeira.

Schapiro foi proposta pelo presidente eleito americano, Barack Obama, como próxima presidente da SEC. EFE mgl/jp

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