Madoff é condenado a 150 anos de prisão

Acusado de uma das maiores fraudes de todos os tempos, o gestor de fundos americano Bernard Madoff foi condenado nesta segunda-feira a 150 anos de prisão por um tribunal de Nova York.

AFP |

"Bernard Madoff é condenado a 150 anos de prisão. Assim decidiu a corte", declarou o juiz Denny Chin.

O Ministério Público (MP) havia pedido esta mesma pena para o ex-presidente do conselho de administração do Nasdaq na Bolsa de Nova York.

O homem de 71 anos, que manipulou durante 30 anos bilhões de dólares entregues por bancos, ricos particulares ou organizações de caridade, tinha se declarado culpado no dia 12 de março das 11 acusações contra ele, entre as quais fraude, lavagem de dinheiro e roubo. O objetivo era evitar um tribunal de júri.

Madoff estava desde então preso em um centro penitenciário, longe do conforto de seu luxuoso apartamento de Upper East Side, nordeste de Manhattan.

O financista chegou ao tribunal às 10H00 (11H00 de Brasília), cercado por uma multidão de jornalistas. Dentro do recinto, pediu perdão a suas inúmeras vítimas.

"Terei que viver com este sofrimento pelo resto da vida. Peço desculpas às minhas vítimas. Lamento muito", declarou, antes do pronunciamento da sentença.

"Estou aqui para ver como age o sistema judiciário ante o maior ladrão da história do universo", clamou mais cedo diante do edifício do tribunal Michael De Vita, 59 anos, uma das inúmeras vítimas de Madoff.

No total, segundo os investigadores, o gestor de fundos recebeu 13 bilhões de dólares. As perdas foram avaliadas em 50 a 65 bilhões de dólares, levando em conta os lucros sobre as quantias emprestadas se os juros tivessem sido reais.

O juiz do tribunal do distrito sul de Nova York, encarregado do processo, autorizou o confisco dos bens de Madoff, por um valor de 170 bilhões de dólares.

O financista admitiu que nunca investiu nenhum centavo das quantias astronômicas que recebeu. Ele montou um "esquema de Ponzi" - nome de um de seus precedessores dos anos 20 - uma fraude piramidal que consistia em remunerar os investidores com o dinheiro entregue por novos clientes.

O sistema funcionou até o dia em que as demandas de retirada do dinheiro dispararam com a crise de 2008.

O advogado de Madoff tinha pedido indulgência para seu cliente: 12 anos de prisão, um pouco menos que "os 13 anos de vida que lhe restam", de acordo com as estatísticas americanas de expectativa de vida.

O caso ficou público no dia 11 de dezembro, quando as autoridades anunciaram, em comunicado lacônico, a detenção de um famoso corretor, diretor-presidente da empresa "Bernard Madoff Investment Securities" (BMIS).

Na véspera, o milionário confessara a seus dois filhos que não tinha "mais nada" e que tinha perdido "cerca de 50 bilhões de dólares", segundo os documentos do tribunal.

Em prisão domiciliar, ele pôde assistir ao desespero de seus clientes, do banco Santander na Espanha à Fundação Elie Wiesel nos Estados Unidos, passando por estrelas de Hollywood e ricos aposentados.

Após o aspecto penal, outras instâncias, civis, aguardam Madoff. A audiência não permitirá determinar as quantias a serem devolvidas, porque a justiça se diz incapaz de avaliá-las. Os promotores solicitaram um prazo de três meses, ao término dos quais a Corte ordenará a restituição do dinheiro ou decidirá se isso é impossível.

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