Madeira mantém o número de 42 mortos nas enchentes

Funchal (Portugal), 23 fev (EFE).- O Governo regional da Madeira confirmou hoje que os mortos pelas inundações de sábado somam 42, embora dois prefeitos tenham dito a vários meios de imprensa que localizaram entre seis e nove corpos a mais.

EFE |

As autoridades reduziram de 32 para 13 o número de desaparecidos na ilha durante o primeiro dos dois contatos diários com a imprensa.

As explicações sobre a situação na Madeira foram passadas pela secretária de Turismo e Transportes, Conceição Estudante, que negou qualquer interesse de seu Governo em esconder as vítimas e ressaltou que a normalidade volta à ilha e que os cruzeiros de turistas já podem abastecer-se novamente no porto.

Em linha com a preocupação expressada por outros responsáveis do Governo do arquipélago luso que a tragédia do fim de semana passado afete o turismo, uma de seus principais fontes de receita, Estudante exortou a trabalhar para deixar Madeira como estava antes das enchentes.

A secretária não confirmou a localização de seis corpos na segunda-feira pelo prefeito de Funchal, Miguel Albuquerque, em declarações à rádio e à televisão, nem os três que supostamente foram encontrados hoje na isolada localidade de Calheta, segundo a manifestação do vereador Manuel Baeta a vários meios de imprensa.

Estudante afirmou que também não apareceram corpos por enquanto nos estacionamentos subterrâneos, ainda não drenados, dos shoppings de Funchal, que alagaram rapidamente com a água e o lodo das enchentes e nos quais o presidente do Governo regional, Alberto João Jardim, disse temer que haja vítimas.

Jardim anunciou no domingo que não ia declarar "estado de calamidade" no arquipélago, medida que considerou prejudicial para o turismo, e pediu cuidado com a "dramatização" dos fatos diante das imagens da tragédia da Madeira exibidas na imprensa de muitos países.

O presidente do Governo regional expressou sua prioridade de voltar a deixar "tudo bonitinho" na ilha e celebrar a festa madeirense da flor em abril.

Madeira recebe ao redor de 800 mil visitantes ao ano e, segundo fontes dos operadores turísticos, as reservas já se ressentem pela situação que vive o arquipélago, após as enchentes incontáveis que desceram das colinas da ilha e arrastaram pessoas, automóveis e casas inteiras.

As equipes de resgate conseguiram hoje reabrir a comunicação com algumas povoações isoladas por deslizamentos de terras e ruptura de pontes, mas o trabalho avança com lentidão em regiões sepultadas pelo lodo, entre estas um túnel viário e várias estradas destruídas pelas enchentes onde estão restos de automóveis e casas.

Milhares de pessoas, entre operários públicos, bombeiros, defesa civil, voluntários, policiais e soldados chegaram do continente para trabalhar nos trabalhos de limpeza e busca de vítimas.

O Governo português, que declarou na segunda-feira três dias de luto nacional pela tragédia, enviou à Madeira uma fragata da Marinha e vários aviões, helicópteros e equipamentos militares para ajudar nas tarefas de reconstrução, assim como equipes de mergulhadores para buscar corpos em Funchal e nas regiões próximas.

O responsável de Turismo da Madeira assegurou hoje que a energia elétrica já foi restabelecida em toda a ilha a exceção da região ocidental de Meia Légua e algumas áreas da parte baixa de Funchal, na qual se concentraram as enchentes que desciam pelas ladeiras.

Dois dos três leitos principais do rio que descem por Funchal já voltaram a seu curso normal, após o transbordamento do fim de semana, e os principais esforços se concentram em retirar as toneladas de pedra, lodo e resíduos que deixaram as chuvas por toda a cidade.

Segundo Estudante, os transportes, o setor hoteleiro e as atividades turísticas já estão normalizadas e lembrou que até agora só uma cidadã britânica morreu nas enchentes. EFE atc-ecs/dm

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