Madagascar realizará eleições presidenciais em outubro de 2010

Antananarivo, 3 abr (EFE).- Madagascar realizará eleições presidenciais em outubro de 2010, determinou nesta sexta-feira uma reunião multipartite em Antananarivo para tratar do futuro político do país, após a derrocada em 17 de março passado do presidente Marc Ravalomanana em um golpe de estado com apoio militar.

EFE |

O governante de fato de Madagascar, Andry Rajoelina, que forçou a renúncia de Ravalomanana mediante violentas manifestações, nas quais morreram cerca de 140 pessoas, e a intimidação contra o chefe de Estado por parte de um setor do Exército, tinha prometido quando tomou o poder que as eleições seriam realizadas em 24 meses.

"A transição será, portanto, de 19 meses em lugar de 24", disse Rajoelina aos cerca de 1.200 participantes das chamadas Audiências Nacionais que começaram ontem, quinta-feira, nesta capital, embora sem o partido de Ravalomanana, Tiako I Madagasikara (TIM, Eu Amo Madagascar, em idioma malgaxe).

O TIM também não participa da Alta Autoridade da Transição (AAT), o Governo de fato integrado por todos os partidos políticos opostos a Ravalomanana e liderado por Rajoelina, que também anunciou hoje que o calendário da transição começa com uma conferência nacional em junho na qual se confirmará o mapa de caminho.

Um novo código eleitoral será adotado em julho e em setembro se realizará um plebiscito sobre as mudanças constitucionais promovidas pela AAT.

A constituição de Madagascar determina que o presidente do país deve ser maior de 40 anos e Rajoelina tem apenas 34.

O novo governante de Madagascar adiantou que as eleições legislativas estão previstas para março de 2010, as presidenciais em outubro desse ano e as municipais e para o Senado em fevereiro e março de 2011, respectivamente.

Rajoelina, um antigo "disk jockey", o popular DJ, transformado em empresário de meios de comunicação e político populista, iniciou em 26 de janeiro as mobilizações de seus partidários para derrubar Ravalomanana, a quem acusa de desvio público e de violar a Constituição.

Tanto a União Africana (UA) como a Comunidade para o Desenvolvimento da África Meridional (SADC) anunciaram que imporão sanções a Madagascar se não for restaurada a constitucionalidade no país, no qual, após três meses de crise social e política, a economia está gravemente afetada, tal como já reconheceu a AAT.

Rajoelina, que na segunda-feira passada disse que demonstrará ao exterior que "somos capazes de dirigir um país livre e independente", rejeitou taxativamente as críticas da comunidade internacional e afirmou que "o povo malgaxe sabe o que melhor lhe convém ao desenvolvimento e à democracia do país". EFE fr/ma

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