Maconha elevaria risco de ataque cardíaco; ativistas contestam

Por Will Dunham WASHINGTON (Reuters) - O consumo muito pesado de maconha pode elevar a concentração no sangue de uma determinada proteína, contribuindo potencialmente para a ocorrência de ataques do coração ou derrames, afirmaram na terça-feira pesquisadores ligados ao governo dos EUA.

Reuters |

Jean Lud Cadet, do Instituo Nacional de Uso de Drogas, um órgão dos Institutos Nacionais de Saúde, disse que a descoberta apontava para um outro exemplo dos males provocados pelo consumo da maconha no longo prazo.

No entanto, defensores da droga levantaram dúvidas sobre o resultado da pesquisa.

Segundo Cadet, grande parte dos estudos feitos até hoje concentraram-se nos efeitos da maconha dentro do cérebro. A equipe dele olhou outra parte do corpo, o sangue, medindo os níveis de concentração de proteínas em 18 usuários antigos e contumazes de maconha e em outras 24 pessoas que não utilizavam a droga.

Os níveis de concentração de uma proteína chamada apolipoproteína C-III revelaram-se 30 por cento maiores nos usuários de maconha do que no grupo de controle.

Essa proteína participa do metabolismo corporal dos triglicerídeos --um tipo de gordura encontrado no sangue-- e uma concentração maior dela eleva a concentração dos triglicerídeos, afirmou Cadet.

A presença dessa gordura pode contribuir para o endurecimento ou espessamento da parede das artérias, elevando as chances de ocorrerem derrames e ataques do coração, além de outros males coronários.

O estudo, que saiu publicado na revista Molecular Psychiatriy, não avaliou se os consumidores de maconha tiveram realmente problemas no coração.

'O uso crônico de maconha não é benigno', afirmou o cientista em entrevista concedida por telefone.

No entanto, um grupo norte-americano que defende a legalização e regulamentação da maconha contestou os resultados.

Bruce Mirken, porta-voz do Projeto Política da Maconha, afirmou que o estudo avaliou pessoas que consumiam quantidades altíssimas da droga.

'Acho que os que menos consumiam nesse grupo fumavam 78 baseados por semana. Isso dá uma média de dez ou 11 baseados por dia', disse Mirken, também em entrevista telefônica.

'Qualquer coisa que se faça de forma assim exagerada poderá ter efeitos adversos, seja maconha, álcool ou brócolis', acrescentou.

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