Maçonaria ajudava máfia italiana a atrasar julgamentos

Oito pessoas, entre elas vários membros da Maçonaria, foram presas nesta terça-feira na Itália por terem ajudado chefes da máfia a atrasar seus julgamentos, anunciou o promotor de Palermo durante uma coletiva de imprensa em Roma.

AFP |

A máfia, através de subornos, convenceu vários membros da maçonaria a recorrer a suas redes de influência para ajudar que líderes mafiosos de Trapani (oeste da Sicília) e de Agrigente (sul) tivessem seus julgamentos adiados até que os crimes fossem prescritos, explicou o promotor Messineo.

"Trata-se de uma rede muito complexa que interferia nos julgamentos graças a contatos bem situados", comentou.

"Chegavam, inclusive, a traficar o calendário das audiências", esclareceu o vice-promotor Roberto Scarpinato.

O líder dessa rede seria Rodolfo Grancini, de 68 anos, que o promotor descreve como um "trapaceiro com um círculo de amizades de alto nível".

Além dos maçons, que não sabe ao certo o número, uma policial da Direção contra criminalidade do ministério de Interior, um funcionário da Corte de Cassação, vários empresários e um ginecologista de Palermo, já condenado por abuso sexual a uma menor, estão entre os detidos.

Eles serão acusados de associação mafiosa, corrupção, mau uso de dinheiro público, acesso ilegal ao sistema digital da justiça e de violação do segredo de instrução.

Também foi notificado um sacerdote jesuíta que mora em Roma e está relacionado com um dos empresários detidos, assinala a imprensa local.

O grão-mestre da 'Sereníssima Grande Loja Unidade da Itália', Stefano De Carolis, também está sendo processado nesse caso, segundo a mesma fonte.

A investigação foi batizada "Hiram" e foi iniciada em 2006, através de escutas telefônicas realizadas para outro caso relacionado com a máfia. Ela foi centrada nas famílias mafiosas de Mazara del Vallo e de Castelvetrano, na região de Trapani, "terra da máfia e da maçonaria", segundo o promotor.

str-fmi/fb

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