Macau lembra 10º aniversário de seu retorno à China

Pequim, 20 dez (EFE).- A região administrativa especial de Macau celebrou hoje o décimo aniversário de seu retorno à soberania chinesa com a posse de um novo Governo local, liderado pelo chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On.

EFE |

Chui Sai On tomou posse em cerimônia realizada na ex-colônia portuguesa, que contou com a presença do presidente da China, Hu Jintao, e prometeu continuar fiel ao princípio de "um país, dois sistemas" que rege a política de Macau e Hong Kong (independência durante 50 anos em todas as competências, exceto defesa e assuntos exteriores).

Os novos secretários (ministros) do Governo regional também assumiram seus cargos, além dos membros do Conselho Executivo da localidade, que foi governada por Portugal entre 1557 e 1999, sendo tanto a primeira quanto a última colônia europeia em território chinês.

Chui Sai On, de 52 anos, destacou que o princípio permitiu a Macau um "alto nível de autonomia" e ressaltou que, durante seu mandato - a princípio, estabelecido até 2014 -, promoverá um desenvolvimento "diversificado" da economia da região.

O presidente da China também pronunciou um discurso no aniversário, destacando que o Governo chinês confia plenamente em que o terceiro Governo de Macau "una seu povo e o leve à construção de uma região melhor".

Fernando Chui Sai On, ex-responsável da pasta de Assuntos Sociais e Cultura no território, foi o único candidato a passar pelo corte para a eleição a chefe do Executivo, e com isso foi às urnas sem oposição.

Em 26 de julho, foi votado por um colégio de 300 eleitores, formado por representantes dos diversos setores socioeconômicos de Macau, recebendo o respaldo de 282.

Chui Sai On sucede Edmund Ho, chefe do Executivo sob cujo mandato foi liberalizada a indústria do jogo, em 2001, o que permitiu a entrada de vários gigantes americanos, e se diversificou a economia, dando um impulso ao turismo e aos serviços.

Ho deixa o cargo com um tom preocupante para seus vizinhos democratas de Hong Kong, devido à promulgação de uma lei de segurança nacional que poderia prejudicar a liberdade de expressão.

Uma iniciativa semelhante em Hong Kong gerou grande protesto popular no território e, depois, o abandono da iniciativa.

O sucessor de Ho, que já foi criticado por alguns políticos da recém-renovada Assembleia Legislativa - que conta com 29 parlamentares - e inclusive foi apelidado de "cheque em branco", por não antecipar sua agenda política, deverá enfrentar, como seu colega em Hong Kong, Donald Tsang, uma crescente pressão para democratizar o sistema político.

Neste sentido, Chui Sai On expôs recentemente que a democratização - ao voto universal tanto para a Assembleia quanto para o cargo de chefe do Executivo - será promovida "gradualmente de acordo com a lei básica e a realidade social de Macau".

No pleito de setembro, apenas 12 deputados foram escolhidos de forma direta, enquanto sete foram designados pelo chefe do Executivo e os dez restantes foram votados entre os diversos setores socioeconômicos da ex-colônia.

No âmbito econômico, o território situado no litoral sudeste da China, ao oeste do delta do Rio das Pérolas, viu aumentar progressivamente seu Produto Interno Bruto (PIB) na última década, dos US$ 6,062 bilhões (1999) para US$ 22,227 bilhões (2008).

Segundo os dados oficiais, o PIB per capita de 2008 ficou em torno de US$ 40,49 mil, enquanto o desemprego em 2009 diminuiu para níveis não superiores a 3,8% (em 1999, era de 6,5%), mesmo diante da crise.

Macau, com 541 mil habitantes - dos quais apenas 42,5% nasceram em Macau, os outros procedem da China -, mantém o português como língua oficial, além do chinês, apesar de que nem 1% dos habitantes locais o falam.

Chui Sai On adiantou, antes de sua eleição, que um dos objetivos de Macau era se manter como ponte entre China e os países de fala portuguesa.

Macau, a "Las Vegas do Oriente", é o único território da China no qual o jogo é legal, o que fez com que a ex-colônia portuguesa conte com 33 cassinos.

O território voltou à soberania chinesa em 20 de dezembro de 1999, dois anos depois de Hong Kong fazer o mesmo.

Na última década, a ex-colônia registrou um incrível desenvolvimento do setor dos cassinos, ao ponto de se transformar na maior cidade do jogo do mundo, acima de Las Vegas ou Monte Carlo.

A inclusão da cidade na lista do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em 2005, e o início em dezembro de 2009 das obras da faraônica ponte que ligará a localidade a Hong Kong foram alguns dos fatos mais importantes da década. EFE mch-abc/an

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