Macacos encontram refúgio em ilha no meio da Amazônia peruana

Alida Juliani. Iquitos (Peru), 29 mar (EFE).- A margens do Amazonas, nos arredores da cidade peruana de Iquitos, emerge o paraíso da Ilha dos Macacos, um lugar no qual sete espécies distintas destes primatas encontraram o refúgio e os cuidados necessários para perpetuar-se em uma frondosa floresta.

EFE |

Um pequeno clarão de 250 hectares acolhe há 12 anos os animais que, semidomesticados, se aproximam do visitante que quase não os enxerga, trepam por seu corpo e o acompanham.

No interior da frondosa floresta que rodeia a Ilha dos Macacos pés de mamão, bananeiras e plantas de cacau se elevam ao céu e oferecem o alimento necessário aos primatas, a maioria ainda bebês, até que alcançam a maturidade e decidem ficar independentes de sua família adotiva.

A maioria deles chegou ao refúgio, exemplo de turismo sustentável na região peruana de Loreto, no norte do país, por "doações" de cidadãos que os encontraram órfãos.

"Muitos vêm com turistas que os trazem após encontrá-los sós e abandonados em cidades ou em mercados e ao serem informados da existência deste centro de resgate decidem os entregar, explicou o responsável pelo parque, Gilberto Guerra.

A Ilha dos Macacos está situada entre três grupos de casebres que se estendem ao longo das margens do rio Amazonas, e seus habitantes já estão tomando consciência da necessidade de cuidar dos primatas para evitar sua extinção.

Guerra ressaltou a importância de educar os habitantes da zona na proteção e na preservação da flora e da fauna da Amazônia porque "eles vivem o agora, e não pensam no amanhã". Por isso, entre as tarefas que realizam, se encontra a conscientização das crianças nos colégios.

Durante seis anos os responsáveis pelo centro de resgate reflorestaram, além disso, a zona com plantas autóctones. "Até o momento 70 variedades de frutas estão crescendo, tanto oriundas daqui como da parte alta do rio", disse Guerra.

O contato diário gerou uma relação muito especial entre os cuidadores e os macacos, o que não impede que eles conservem seu instinto e decidam, chegado o momento, optar por uma vida independente em seu habitat natural.

"Eles não perdem suas identidades. Quando retornam à selva cada um sabe a que lugar pertence", afirmou o responsável do centro de recuperação.

Graças à dedicação de Guerra e de sua equipe de colaboradores o número de integrantes de cada uma das espécies recolhidas "está aumentando consideravelmente", em alguns casos passando em um ano "de oito para 12 indivíduos".

"E assim cumprimos o objetivo principal que é lhes salvar, impedir que desapareçam, porque se não fazemos nada dentro de um par de anos nós vamos estar lamentando", esclareceu.

O responsável do centro de recuperação da Ilha dos Macacos lamentou que tenham tido que ser profissionais de outros países os que visitaram o lugar para fazer estudos porque "nosso presidente só está se perguntando em que parte da selva se pode encontrar petróleo".

Por isso, no edifício principal, um quadros-negro recolhe escritos em inglês os nomes das sete espécies protegidas com sua correspondente tradução em espanhol e, em alguns casos, ao quíchua, que ainda se fala em alguns grupos étnicos da Amazônia peruana.

"Somos muito poucos que estamos dedicados à proteção e ao cuidado destes animais. Vivemos aqui com eles, em nosso pequeno paraíso", declarou Guerra.

O contato físico com os sociáveis primatas que habitam o centro, "mas sempre em liberdade, nunca enjaulados", ressaltou seu cuidador, propiciou ao longo destes anos que muitos turistas tenham retornado várias vezes para saber deles.

Extremamente brincalhões, como o bebê 'Maio', amáveis como 'José' ou elegantes como 'Pérola', a ruiva do grupo, os macacos conseguem que o visitante se sinta mais um da Ilha, embora às vezes tenha que brigar com eles por um pedaço de mamão ou um grão de cacau. EFE ajs/pb

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