Luz, água e telefone são cortados na embaixada brasileira em Honduras

TEGUCIGALPA - O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou nesta terça-feira que os serviços de luz, água e telefone foram cortados na embaixada brasileira em Honduras e a representação funciona com um gerador a óleo diesel.

Redação com agências internacionais |

Militares hondurenhos cercaram na manhã desta terça-feira a embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde está abrigado o presidente deposto, Manuel Zelaya, e obrigaram os manifestantes que passaram toda a noite diante do edifício a deixar o local.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, os funcionários que trabalham na embaixada brasileira receberam orientação para ficar em casa e houve um pedido formal de apoio à embaixada dos Estados Unidos em Honduras para segurança, além do envio de óleo diesel para manter o gerador funcionando. O ministério informou ainda que há 70 pessoas na Embaixada do Brasil junto com Zelaya.


Partidários de Zelaya dormem em embaixada brasileira / AFP

Na tarde desta terça-feira, o governo interino de Honduras afirmou que as forças de segurança do país não vão invadir a embaixada do Brasil em Tegucigalpa para deter Manuel Zelaya, deposto por um golpe de Estado em 28 de junho.

"Não é possível invadir (a embaixada brasileira)", declarou a vice-chanceler hondurenha, Martha Alvarado, para quem tal ato traria "mais problemas" a Honduras . "Há convênios e nós respeitaremos a sede diplomática", completou.

As declarações de Alvarado foram feitas depois de a polícia ter lançado bombas de gás lacrimogêneo e atirado com balas de borracha contra os simpatizantes de Zelaya que se reuniam em frente ao prédio da embaixada brasileira.  Segundo a rede de TV venezuelana Telesur, duas pessoas morreram no confronto . A informação não foi confirmada pela polícia ou por outras fontes em Honduras.

Os soldados e policiais hondurenhos, muitos com os rostos cobertos com gorros, chegaram ao local às 6h locais (9h de Brasília). Eles lançaram bombas de gás lacrimogêneo e agrediram com cassetetes os quase quatro mil simpatizantes de Zelaya para obrigar uma dispersão da frente do prédio da representação brasileira.


Polícia dispersa partidários de Zelaya na manhã desta terça / AP

O porta-voz da polícia, Orlin Cerrato, informou aos jornalistas que os agentes tiveram que recorrer "os níveis de força adequados" para dissipar os manifestantes, que "continuam nos arredores" da representação diplomática brasileira.

Perto da embaixada dos Estados Unidos em Tegucigalpa, que fica na mesma região em que está localizada a do Brasil, uma patrulha da polícia foi queimada, ao passo que os vidros e os pneus de pelo menos cinco carros de passeio foram quebrados e esvaziados.

Depois de desalojar os manifestantes, os militares instalaram equipamentos de som direcionados à embaixada brasileira e começaram a tocar em alto volume o hino nacional de Honduras, segundo o próprio Zelaya.

"Os militares atacaram a embaixada com gás mostarda", acusou Zelaya em entrevista ao canal americano CNN. "Os militares colocaram sons estridentes para tentar enlouquecer as pessoas que estão dentro da embaixada", completou.

Um fotógrafo da agência AFP permanece dentro da embaixada brasileira, onde o presidente deposto buscou refúgio na segunda-feira depois de retornar de forma surpreendente ao país, e confirmou que a área da embaixada foi esvaziada.


Soldados de Honduras usam sistema de som na rua da embaixada brasileira / AFP

Vigília

Centenas de seguidores de Manuel Zelaya permaneceram na madrugada desta terça-feira em vigília em frente à embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde se encontra o líder deposto, desafiando o toque de recolher imposto pelo governo em exercício.

O governo de Honduras estendeu o toque de recolher no país até o fim da tarde desta terça-feira, 18h na hora local (21h de Brasília), informou o presidente em exercício, Roberto Micheletti. O governo interino também ordenou o fechamento dos aeroportos de todo o país "até segunda ordem", informou a Aviação Civil hondurenha.


Partidários de Zelaya fazem vigília em frente à embaixada do Brasil / Reuters

Em princípio, o regime de Micheletti indicou que o toque de recolher finalizaria na manhã de terça-feira. A mudança foi anunciada enquanto centenas de seguidores de Zelaya permaneciam em vigília em frente à embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde se encontra o líder deposto.

"Restituição ou morte"

Zelaya disse na madrugada desta terça-feira que ninguém voltará a expulsá-lo de seu país e que seu lema a partir de agora será " pátria, restituição ou morte ".

"Ninguém mais vai me agarrar dormindo e minha posição é a pátria, a restituição ou a morte", disse Zelaya na embaixada do Brasil, ao lembrar o golpe militar que o tirou do poder, no dia 28 de junho passado.

"Acreditaram que iam me deter na fronteira, mas estou aqui, vivo, e coberto com a energia deste povo. Não se deram conta de que temos mais estratégia, capacidade e organização".


Zelaya dá entrevista na embaixada brasileira em Tegucigalpa / AP

Refúgio na embaixada brasileira

Na última segunda-feira, o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, voltou a seu país e ficou refugiado na embaixada brasileira em Tegucigalpa. Roberto Micheletti, presidente interino de Honduras, fez um pedido para que o Brasil entregue Zelaya à Justiça.

No início da noite de segunda-feira, a energia elétrica foi cortada pelas autoridades na zona da embaixada do Brasil, no bairro de Palmira, no nordeste de Tegucigalpa, para onde foram enviadas várias ambulâncias da Cruz Vermelha.

Em entrevista coletiva, o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, disse ter conversado diretamente com Zelaya por telefone. Segundo ele, o Brasil espera que a volta do presidente deposto a Tegucigalpa represente um novo estágio nas negociações com o governo interino.

Amorim afirmou que o Brasil "não teve nenhuma interferência" nos fatos que levaram à presença de Zelaya em sua embaixada, limitando-se a conceder permissão para que ele entrasse no prédio, algumas horas antes de sua chegada.


Zelaya acena para partidários na embaixada brasileira na última segunda-feira / AFP

* Com AFP, Reuters e informações da BBC Brasil

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