Luta pela igualdade e fim da violência marcam o Dia Internacional da Mulher

As mulheres viveram neste domingo seu Dia Internacional das formas mais desiguais possíveis, tanto recebendo homenagens pela data, como realizando manifestações nas ruas em prol da igualdade de direitos e do fim da violência contra o gênero, como sofrendo ameaças de morte e outros tipos de sofrimentos vividos nos demais dias do ano.

AFP |

A manifestação mais importante deste domingo teve lugar na Polônia, onde quase seis mil pessoas reunidas no centro de Varsóvia denunciaram a falta de respeito aos direitos das mulheres no país, em particular em relação ao aborto, condenado pela poderosa Igreja católica.

AP
Mulheres protestam nas ruas de Varsóvia, na Polônia


Milhares de manifestantes também desfilaram em Madri pela igualdade dos sexos, salários e contra o machismo. Na véspera, também foram realizadas manifestações similares em Paris.

"As mulheres não devem ser as perdedoras da crise", enfatizou, em Berlim, uma das vice-presidentes do influente sindicato alemão IG Metall, Helga Schwitzer, criticando o fato de que as mulheres são as primeiras demitidas pela empresa em períodos de de contenção de despesas.

Segundo um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado nesta semana, as mulheres sofrerão mais com o desemprego do que os homens em 2009 devido à crise econômica mundial.

A taxa de desemprego das mulheres passou de 6% em 2007 a 6,3% em 2008. "Alcançará pelo menos 6,5% segundo o cenário mais otimista, e 7,4% segundo o mais pessimista, ou até 7,8% nos países desenvolvidos", afirma o documento dedicado às tendências mundiais de emprego das mulheres em 2009.

O cenário mais otimista se baseia nas previsões de crescimento mundial de 0,5% formuladas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em janeiro.

De 2007 a 2008, a taxa de desemprego dos homens subiu de 0,4% a 5,9%, e pode alcançar 6,1%, segundo o melhor cenário, e 7% segundo o pior.

Na Grécia, o transporte público de Atenas e Salônica foram gratuitos para as mulhers. Um consolo para as gregas, já que a taxa de desemprego nesse país é o dobro para as mulheres em relação aos homens.

Na Itália, 15 milhões de flores de mimosa, símbolo tradicional do dia da mulher no país, foram distribuídas ou vendidas neste domingo, segundo a principal federação agrícola do país, a Coldiretti.

A mudança de guarda ante o palácio presidencial de Roma foi excepcionalmente protagonizado por mulheres militares.

O Papa Bento XVI celebrou a oração do Angelus desejando que as mulheres sejam "cada vez mais respeitadas e valorisadas".

Já o jornal do Vaticano, o Osservatore Romano, comemorou a data a sua maneira bem particular. De acordo com a publicação vaticana, a máquina de lavar roupas é o verdadeiro símbolo da emancipação feminina no século XX, mais do que a pílula anticoncepcional.

"Coloque o sabão, feche a tampa e relaxe", afirma o jornal, citando o manual de utilização de um dos primeiros modelos de lavadora automática lançados no mercado.

"No século XX, o que teve mais influência na emancipação das mulheres ocidentais?", pergunta a jornalista Giulia Galeotti.

"O debate segue aberto. Alguns dizem que foi a pílula, outros, a liberalização do aborto, ou mesmo trabalhar fora de casa. No entanto, outros vão mais longe: a máquina de lavar roupa", pondera Galeotti.

O Osservatore Romano conta a origem do eletrodoméstico, quando o teólogo alemão Jacob Christian Schaffern construiu um primeiro protótipo em 1797, e se refer à "mística sublime de poder trocar 'os lençóis duas vezes por semana ao invés de uma'", frase atribuída à célebre feminista americana Betty Friedan.

Poucas foram as manifestações organizadas na África e na Ásia, onde as mulheres são vítimas habituais de casamentos forçados e da violência, em particular em países como o Afeganistão, Paquistão ou Bangladesh.

No entanto, mais de 400 empresárias e dirigentes políticas, entre elas a presidente da Finlândia, se reuniram neste fim de semana na capital da Libéria, Monróvia, para abordar os meios de dar mais poder às mulheres.

O Gabão, por sua vez, inovou a programação nacional deixando a apresentação de todos os telejornais nas mãos de mulheres nos últimos três dias.

A luta contra a violência aplicada às mulheres e meninas foi o tema central escolhido pela ONU para comemorar este dia. "Rompeu-se o silêncio quanto a esta questão. É um primeiro passo", destacou Yakin Erturk, relator especial da ONU sobre a violência do gênero.

Na Índia, as feministas denunciaram uma recente onda de ataques contra mulheres cometida por extremistas religiosos com o propósito de "moralizar" seus comportamentos julgados indecentes.

O dia mundial não foi celebrado no vale paquistanês de Swat, onde o governo local decretou a lei islâmica (sharia) em troca que os extremistas talibãs pusessem fim à violência. Desde então, as mulhers vivem mais do que nunca trancadas em suas casas, ameaçadas de morte se colocarem o pé fora da residência.

No Iraque, a ONG britânica Oxfam publicou um informe que destaca que as mulheres são as "vítimas esquecidas" da pobreza e da insegurança.

No vizinho Irã, a polícia publicou um novo decreto estipulando que todas as lojas de roupas femininas só poderão empregar mulheres.

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