Luta dos EUA contra o terrorismo é frustrante, diz jornal

Washington, 27 jul (EFE).- A guerra que os Estados Unidos declarou à Al Qaeda há quase sete anos colheu resultados decepcionantes, em grande parte devido à falta de entendimento com o Paquistão, afirma hoje o jornal Los Angeles Times.

EFE |

"A campanha antiterrorista no Paquistão (...) perdeu ritmo e está acometida pela frustração", destaca a publicação, que baseia seus argumentos em "dezenas de entrevistas" com militares, funcionários do alto escalão da segurança nacional e agentes do serviço secreto.

Segundo as fontes ouvidas, o Paquistão, onde se acredita que Osama bin Laden e muitos de seus colaboradores se esconderam, demonstrou ser um aliado pouco confiável e com pouco compromisso no combate ao terrorismo.

Desde que os dois países se associaram nessa luta, os EUA tiveram de restringir suas operações clandestinas no Paquistão, ao mesmo tempo em que Islamabad limitou os ataques aéreos das forças americanas na faixa tribal paquistanesa que faz fronteira com o Afeganistão.

"As missões das Forças Especiais (dos EUA) no Paquistão foram pouco freqüentes, dizem os funcionários, para evitar que o Governo paquistanês seja envergonhado e que os ânimos antiamericanos se exaltem", comenta o jornal.

Os agentes da CIA posicionados na região fronteiriça com o Afeganistão, que deveriam assesorar, financiar e repassar equipamentos e informações a seus colegas do Paquistão, declararam que é "uma luta convencer os paquistaneses a atuar".

"Todos (os agentes) que prestam serviço no Paquistão voltam frustrados", declarou um funcionário da CIA.

Em 2006, os EUA aumentaram consideravelmente a presença da CIA no Paquistão, onde agora conta tem 200 agentes, mais que em qualquer outro país do mundo, com exceção do Iraque, segundo fontes da própria agência.

Também estão no Paquistão funcionários de outros órgãos secretos dos EUA, como a Agência de Segurança Nacional (NSA), encarregada da espionagem eletrônica, e a Agência Nacional de Inteligência Geoespacial (NGIA), que usa satélites para o mesmo fim.

No entanto, a eficácia dos espiões e agentes de campo se vê diminuída pela necessidade de os integrantes da inteligência paquistanesa (ISI, na sigla em inglês) colaborarem.

A desconfiança em relação à ISI é tamanha que os americanos, quando lançam um ataque aéreo contra um alvo na zona tribal do Paquistão com os aviões sem piloto, só dão o aviso à agência no último momento, com medo de que a operação vaze. EFE wm/sc

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