Lula visita museu em Jerusalém e se reúne com Abbas na Cisjordânia

Antonio Pita. Jerusalém, 16 mar (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva percorreu hoje o Museu do Holocausto de Jerusalém e será o primeiro chefe de Estado brasileiro a visitar a Autoridade Nacional Palestina e viajar à cidade de Belém.

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Lula, que chegou à região no domingo, iniciou a jornada com uma visita ao Yad Vashem (Museu do Holocausto) e, referindo-se ao massacre dos judeus na Alemanha nazista, afirmou que "a humanidade tem que repetir todos os dias, tantas vezes quanto forem necessárias: 'Nunca mais, nunca mais, nunca mais'".

O presidente visitou o centro, parada obrigatória para os dignitários de alta categoria que visitam o Estado judeu, junto com a primeira-dama Marisa. Depois, participou de uma cerimônia oficial no chamado Salão da Memória, acompanhado pelo presidente israelense, Shimon Peres, e pelo rabino do Conselho do Yad Vashem, Meir Lau.

A sala é coroada por um teto de concreto e no piso estão escritos os nomes dos 22 campos de concentração nazistas. Lula acendeu uma vela em memória dos seis milhões de judeus assassinados pelo nazismo e colocou uma coroa de flores com as cores da bandeira do Brasil no local.

"Acho que a visita ao Museu do Holocausto deveria ser quase obrigatória para todos os seres humanos que queiram dirigir uma nação", disse o presidente.

"Todos nós que lutamos pela democracia e pelos direitos humanos não podemos em nenhum momento permitir que volte a ocorrer algo como o Holocausto. A humanidade não pode permitir e tem que repetir todos os dias, tantas vezes quanto forem necessárias: 'Nunca mais, nunca mais, nunca mais'", acrescentou.

Após ir ao Yad Vashem, Lula se reuniu, ainda em Jerusalém, com os promotores da Iniciativa da Paz de Genebra, com um grupo de parentes israelenses e palestinos de vítimas do conflito e com representantes da ONG Passia. Já a visita à Universidade Hebraica foi cancelada.

À tarde, o presidente foi à cidade cisjordaniana de Belém, tornando-se o primeiro chefe de Estado brasileiro a visitar a Autoridade Nacional Palestina (ANP), criada após os Acordos de Oslo de 1993.

Lá, encontrou o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, com quem deve jantar esta noite, e assistiu ao encerramento de um encontro empresarial. Em sua agenda também figurava uma visita à Basílica da Natividade, apontada pela tradição cristã como o local do nascimento de Jesus. O compromisso, no entanto, foi cancelado por "motivos de agenda".

Lula pernoitará em Belém, um gesto muito incomum entre governantes estrangeiros. Amanhã de manhã, o presidente segue para Ramala, capital administrativa da Cisjordânia, onde deve assinar acordos de cooperação com Abbas.

Ele também deve depositar flores sobre o túmulo do palestino Yasser Arafat, morto em 2004. A decisão de render tributo ao mítico histórico líder e não ao fundador do sionismo, Teodoro Herzl, enterrado em Jerusalém, gerou polêmica. O ministro de Assuntos Exteriores de Israel, o ultraortodoxo Avigdor Lieberman, se ausentou do discurso proferido por Lula ontem no Parlamento israelense.

Em entrevista à edição digital de hoje do jornal "Yedioth Ahronoth", Lieberman classificou a atitude do presidente brasileiro como "inaceitável", mas preferiu "não dramatizar" e ressaltar o "êxito" da visita.

Por volta das 13h (8h de Brasília) de quarta-feira, Lula deixará a Cisjordânia viajará para Amã, onde terá uma reunião de trabalho com o rei da Jordânia, Abdullah II.

Por sua vez, a ONG palestina Stop the Wall aproveitou a visita para chamar a atenção sobre os laços comerciais e militares do Brasil com Israel, que, na opinião da organização, legitimam a ocupação dos territórios palestinos.

"É inaceitável forjar acordos comerciais com um país cujas companhias se beneficiam intrinsecamente dos assentamentos e da ocupação", assegurou o coordenador da organização, Yamal Yuma.

A ONG fez um apelo ao Brasil para que não coloque em prática o tratado de livre-comércio entre o Mercosul e Israel, que entrará em vigor no dia 4 de abril. A organização também quer que o país trabalhe para criar um embargo de armas e o boicote a produtos fabricados nas colônias judaicas. EFE ap-amg/pb-sc

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