Em um clima de tensão entre israelenses e palestinos acirrado pelo anúncio da expansão dos assentamentos judeus na Cisjordânia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia neste domingo, no Oriente Médio, a primeira visita de um presidente brasileiro a Israel, Territórios Palestinos Ocupados e Jordânia.

A posição contrária de Lula às sanções ao Irã, devido ao programa nuclear conduzido pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad, também é um ponto de tensão da visita. O apoio ao programa nuclear iraniano não agrada a Israel nem à Autoridade Nacional Palestina (ANP).

Apesar disso, Lula enfrentará o desafio de se colocar como interlocutor em um possível acordo de paz. De acordo com o Ministério de Relações Exteriores, entre os temas internacionais a serem tratados estão a retomada de negociações entre israelenses e palestinos e a disposição do Brasil em contribuir para o encaminhamento do processo de paz no Oriente Médio.

Reuters
Palestino devolve bomba de gás lançada por soldados em confronto neste domingo
A intenção do governo de Israel de construir mais 1.600 casas em Jerusalém Oriental jogou por terra as negociações de paz que estavam sendo intermediadas pelos Estados Unidos. Após Israel decretar o fechamento temporário do acesso à Cisjordânia, manifestantes entraram em choque com policiais em Jerusalém. Além dos protestos internos, a medida provocou críticas da comunidade internacional, inclusive do  Brasil.

Em novembro do ano passado, o Brasil recebeu a visita dos presidentes Shimon Peres, de Israel, e Mahmmoud Abbas, da Autoridade Nacional Palestina. O Rei Abdullah II, da Jordânia, esteve no Brasil em outubro de 2008.

De acordo com o governo brasileiro, a viagem reflete a crescente aproximação do Brasil com os países do Oriente Médio. Lula tratará do aprofundamento dos laços bilaterais, comerciais e de cooperação com os representantes de cada país.

O presidente deve chegar domingo ao aeroporto de Ben Gurion, nos arredores de Tel Aviv, no domingo, às 19 horas locais (14 horas em Brasília). A agenda oficial terá início no dia seguinte.

Na segunda-feira, pela manhã, Lula encontra seu colega israelense, Shimon Peres, a chefe da oposição, Tzipi Livni, e diversos representantes da sociedade civil, além de comparecer a um seminário empresarial e a uma sessão no Parlamento (Knesset).

No mesmo dia, à tarde, reúne-se com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, antes de participar de um jantar em sua homenagem na residência oficial de Peres, em Jerusalém.

Na terça-feira, o presidente visita o Museu do Holocausto (Yad Vashem) e a Universidade Hebraica, antes de se deslocar ao território palestino ocupado da Cisjordânia para manter uma reunião em Belém com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

À tarde, Lula visita a Basílica da Natividade, local do nascimento de Jesus, segundo a tradição cristã. O presidente também participa do encerramento de um encontro empresarial antes de jantar com Abbas.

No dia seguinte vai a Ramallah, onde, além de assinar acordos de cooperação com o presidente da ANP, vai visitar uma escola financiada pelo Brasil e depositará uma oferenda de flores no túmulo do líder palestino Yasser Arafat.

Por volta das 13 horas locais (8 horas de Brasília), Lula encerra sua visita à Cisjordânia e viaja para Amã, onde encontra o rei Abdullah II da Jordânia para uma reunião de trabalho.

Na quinta-feira o presidente brasileiro se reunirá com as autoridades jordanianas, entre elas o primeiro-ministro, Samir Rifai. Antes de encerrar sua viagem à região, participa do encerramento de um seminário empresarial.

* com informações da Agência Brasil e EFE

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