Lula viaja à Arábia Saudita de olho na ampliação do comércio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca nesta sexta-feira rumo à Riad, capital da Arábia Saudita, para um visita de dois dias, buscando ampliar a presença de produtos brasileiros no país árabe, além de discutir temas estratégicos para os dois países. A Arábia Saudita é a maior economia da região e, de acordo com um relatório do governo saudita, o país estará investindo um total de US$ 812 bilhões nos próximos anos em obras de infra-estrutura, agricultura, turismo, tecnologia e desenvolvimento industrial em diversas regiões em seu território.

BBC Brasil |

"Mesmo com a crise financeira, o país está investindo. Com isso, há oportunidades de negócios e o Brasil quer entrar nesta briga por contratos nestas áreas em que eles farão investimentos", disse o chefe do Departamento de Oriente Médio II do Itamaraty, Roberto Abdalla.

Segundo o diplomata, o presidente Lula estará de olho em novos investimentos para aumentar o volume de comércio com o país árabe.

Um relatório elaborado pela Embaixada brasileira em Riad salientou que o Brasil já está consolidado como grande fornecedor mundial de alimentos, mas que pode aumentar também seu comércio com os árabes em outras áreas como tecnologia e máquinas agrícolas.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que, em 2008, o Brasil exportou um total de US$ 9,8 bilhões para os países árabes, sendo US$ 2,56 bilhões à Arábia Saudita, tornado o país o principal parceiro comercial da região. As importações brasileiras com os sauditas ficaram no ano passado em quase US$ 3 bilhões, a maioria petróleo e derivados.

No primeiro trimestre deste ano, as exportações para o mundo árabe já somaram US$ 1,873 bilhão, um aumento de 4,1% se comparado ao mesmo período de 2008.

Lula vai acompanhado de uma delegação de empresários brasileiros que participarão de diversos encontros de negócios com investidores sauditas.

Mercados
O Brasil vem aumentando sua presença econômica e estratégica no mundo árabe nos últimos anos, especialmente na região do Golfo.

O governo brasileiro vem pressionando pela assinatura de um amplo acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), idealizado pela Arábia Saudita e formado ainda por Emirados Árabes Unidos, Omã, Kuwait, Bahrein e Catar.

As negociações foram iniciadas em 2005, durante a 1ª Cúpula América do Sul Países Árabes (ASPA) e retomadas durante o segundo encontro da ASPA em Doha, no Catar, em março deste ano.

"Uma barreira foi a indústria petroquímica brasileira que temia a concorrência do Golfo. O presidente deverá pressionar pelo destravamento do acordo, e uma solução poderia ser que fossem acertados os outros temas para deixar os petroquímicos para depois", salientou Abdalla.

Segundo o analista econômico saudita Ahmed Sharedy, o presidente Lula está aproveitando a ótima visão que os árabes têm do Brasil e da habilidade de Lula como negociador em diferentes fóruns comerciais.

"O mundo árabe vê Lula com grande admiração por sua capacidade de negociação. O Brasil é visto como um parceiro sério e com grandes perspectivas para investimentos mútuos", disse Sharedy à BBC Brasil.

Ele afirma que mesmo com a crise financeira, a Arábia Saudita tem dinheiro para investimentos tanto em seu território como em outros países.

"Com todas as previsões de investimentos domésticos, o governo saudita tem um ainda recursos para investir no exterior."
"Os sauditas têm interesse em investimentos no Brasil. Lula virá para aumentar os negócios e atrair as empresas árabes a investir em setores de ponta brasileiros", completou Sharedy.

Reformas
Durante a visita oficial de dois dias, Lula também deverá discutir, com o rei da Arábia Saudita, Abdullah Bin Abdulaziz Al Saud, a crise financeira mundial, a reformulação dos organismo multilaterais como a Organização das Nações Unidas (ONU) e o conflito entre israelenses e palestinos.

Segundo Abdalla, os dois países têm interesses em comum já que ambos fazem parte do grupo do G20, grupo das 20 maiores economias do mundo.

Brasil e Arábia Saudita são a favor de mudanças no Conselho de Segurança das Nações Unidas, e o governo brasileiro quer uma vaga permanente no órgão.

Segundo o Itamaraty, os sauditas ainda não deram apoio aberto para que o Brasil ocupe uma destas vagas, depois de sua eventual criação.

Os únicos membros permanentes do conselho são Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia e China. Outros dez membros rotativos são eleitos pela Assembleia Geral das Nações Unidas para mandatos de dois anos.

Durante a visita do presidente brasileiro, deverão ser assinados novos acordos em áreas de cultura, esportes, ensino superior, consultas políticas e outras cooperações acadêmicas diplomáticas.

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