Lula vai à Argentina para se reunir com Cristina e abrir encontro de negócios

Buenos Aires, 2 ago (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegará amanhã a Buenos Aires para se reunir com a chefe de Estado argentina, Cristina Fernández de Kirchner, com quem abrirá o seminário empresarial Brasil-Argentina, que contará com a participação de mais de 350 empresários brasileiros.

EFE |

Lula e Cristina também devem se reunir em uma minicúpula juntamente com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que desembarcará na segunda-feira em Buenos Aires, segundo fontes diplomáticas argentinas. A reunião não foi confirmada pelo lado brasileiro.

De fato, a agenda oficial de Lula, que permanecerá menos de 24 horas na Argentina, não inclui um encontro com Chávez apesar de o governante venezuelano ter afirmado na quinta-feira que iria a Buenos Aires para se reunir com os presidentes de Brasil e Argentina.

A imprensa local informou hoje que a inclusão de Chávez gerou um certo mal-estar entre os brasileiros, que esperavam uma visita de caráter comercial com a presença de vários empresários, segundo o acordo pactuado entre Lula e Cristina em Roma, durante a cúpula da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

De todas as formas, fontes diplomáticas consultadas pela Agência Efe destacaram que os três presidentes tinham acertado voltar a se reunir durante a última cúpula do Mercosul, realizada na cidade argentina de Tucumán, no início de julho.

Lula chega amanhã à noite a Buenos Aires acompanhado de mais de 200 empresários e boa parte de seu Gabinete, depois das posições divergentes de Brasil e Argentina sobre a abertura dos mercados industriais durante as frustradas negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC).

A Rodada de Doha é uma das prioridades e um assunto que deve ser discutido sempre, destacou Lula em 1º de julho, no final da cúpula do Mercosul, que é integrado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com a Venezuela em processo de adesão.

O Governo argentino tentou ontem descer o tom da disputa, ao garantir que buscará acordar com o país vizinho uma postura única perante a OMC, e evitou se referir às declarações do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que disse que o Brasil não podia "ficar refém da posição argentina".

Cristina afirmou ontem que a delegação argentina levou "como bandeira a industrialização de seu país" às negociações da Rodada de Doha.

"Não é uma postura de nos fecharmos para o mundo, ao contrário, queremos nos abrir, mas não abandonar nosso projeto próprio de produtos com valor agregado", declarou a presidente durante um ato nos arredores de Buenos Aires.

Porta-vozes oficiais disseram que Lula e Cristina terão uma "agenda aberta" durante os encontros que terão neste domingo e na segunda-feira, e estimam que as negociações na OMC estarão presentes na pauta da reunião.

Após chegar a Buenos Aires, Lula jantará com Cristina e o ex-presidente argentino Néstor Kirchner, na embaixada do Brasil na capital local.

Na segunda-feira, Lula tomará café-da-manhã com empresários brasileiros na sede da representação diplomática e depois voltará a se encontrar com Cristina para abrir o seminário Brasil-Argentina, em meio ao encontro empresarial binacional para o desenvolvimento de estratégias de cooperação e articulação produtiva, em Buenos Aires.

Depois, o presidente terá um encontro privado com Cristina para discutir vários temas, entre eles a cooperação em energia e a troca comercial, a integração produtiva, os investimentos entre os dois países e o desenvolvimento do Mercosul.

Mais tarde, Lula e Cristina almoçarão na sede do Ministério das Relações Exteriores da Argentina juntamente com empresários, que permanecerão ali durante toda a tarde para manterem rodadas de negócios e reuniões dos setores automotivo, de bens de capital, de maquinaria agrícola, de calçado, naval, de software, entre outros.

Por parte da Argentina, confirmaram a presença mais de mil empresários, enquanto cerca de 200 empresários irão à Argentina com Lula para se juntarem a outros que já se encontram no país, e aonde já chegaram mais de 350 executivos de companhias brasileiras.

Também participarão os presidentes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, e da União Industrial Argentina (UIA), Juan Carlos Lascuraín. EFE ms/wr/rr

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