Lula vai à América Central de olho em vácuo deixado pelos EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia neste domingo uma viagem de quatro dias pela América Central, na expectativa de conquistar mais espaço em uma região que vem sendo deixada de lado pelos americanos. Tradicional área de influência dos Estados Unidos e do México, a América Central saiu do radar de prioridades dos dois países - o que, segundo o Itamaraty, abre novas possibilidades para a diplomacia brasileira.

BBC Brasil |

"Sem dúvida esse será o tom da mensagem do presidente Lula nessas visitas", diz um diplomata brasileiro.

Durante o mandato do presidente George W. Bush, a América Central recebeu menos atenção dos americanos. O distanciamento aumentou com a crise financeira, que fez minguar os investimentos e as remessas para a região.

Historicamente bastante ligado aos países da América Central, o México também vem se distanciando nos últimos anos.

"A prioridade dos mexicanos passou a ser os países mais desenvolvidos. Além disso, o governo tem grandes problemas internos para resolver, como a violência", diz o diretor da Faculdade de Relações Internacionais da Universidade Autônoma de Guadalajara, Ricardo Flores Cantú.

Esquerda

O vácuo deixado por americanos e mexicanos, nos últimos anos, tem sido preenchido por outro líder na região: o presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

O caso mais simbólico é o de Honduras. Tradicional aliado dos Estados Unidos, o país passou por uma inversão política e é, hoje, um dos principais seguidores da política chavista.

O diplomata do Itamaraty diz que o avanço de Chávez na região não é "fluido" e que, por isso, não preocupa.

"Muitos desses países veem no Brasil e não na Venezuela uma possibilidade de contraponto", diz o diplomata.

Segundo ele, muitos líderes da região "se espelham" na figura do presidente Lula, com quem criaram uma "forte relação".

Ele cita o exemplo da Guatemala, cujo governo vem adotando políticas públicas "inspiradas" na experiência brasileira, como o "Mi Familia Progresa", espécie de Bolsa Família local.

Propostas

A agenda oficial começa na segunda-feira, em El Salvador. De lá o presidente parte para a Guatemala e, em seguida, para a Costa Rica.

O presidente Lula quer aproveitar a visita para avançar nas conversas sobre um acordo entre o Mercosul e o Sistema de Integração Centro-Americana (Sica), grupo que inclui diversos países da região.

Além disso, há uma série propostas sobre a mesa que poderão resultar em financiamentos brasileiros à América Central.

Apesar da proximidade e do desejo brasileiro por maior integração regional, o BNDES não tem linhas de crédito a nenhum país da região.

"Há muitos pedidos de crédito em andamento, mas nada foi efetivamente fechado até hoje", diz o diplomata.

Entre as propostas em fase avançada está uma linha de crédito ao governo da Guatemala para a compra de aviões da Embraer, no valor de US$ 99 milhões.

O governo da Guatemala estuda ainda um crédito junto ao BNDES para a compra de 3 mil ônibus fabricados no Brasil.

Em El Salvador, Lula participa da posse do presidente eleito, Mauricio Funes - um jornalista de centro-esquerda, casado com a representante do Partido dos Trabalhadores (PT) na América Central, Vanda Pignato.

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