RIO DE JANEIRO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pediu nesta terça-feira ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que convoque uma cúpula para tentar solucionar o conflito entre israelenses e palestinos, e criticou a ONU, por passividade, e os Estados Unidos por ineficiência na condução do processo de paz.


Lula pediu que Amorim solicite ao primeiro-ministro da França, François Fillon, colaboração para convocar uma reunião de emergência internacional sobre ataques de Israel à Faixa de Gaza.

"O Brasil vai fazer um grande esforço junto a outros países para encontrar um modo de que aquele povo pare de se matar e de se enfrentar com violência", afirmou Lula, que disse ter confiança no sucesso de uma convocação brasileira por se tratar de um país "neutro".

Em discurso na capital pernambucana Recife, Lula também aproveitou para atacar as Nações Unidas por não tomar nenhuma decisão para evitar um novo massacre e apontou os Estados Unidos como responsáveis pela falta de manobra do organismo internacional.

"O que está provado é que a ONU não tem coragem de tomar uma decisão para pôr paz. E não tem coragem porque os Estados Unidos têm o poder de veto, portanto, as coisas não ocorrem", asseverou.

Lula rejeitou, além disso, que os Estados Unidos fiquem como únicos interlocutores, "porque já se provou que (isso) não funciona".

Após lembrar que no próximo ano haverá eleições em Israel, o presidente disse que existe o risco de o governo israelense impulsionar a guerra com objetivos eleitorais.

"Temo que a pessoa, com as pesquisas na mão, achando que deve atacar, faça o que o presidente (dos Estados Unidos, George W.) Bush fez na Guerra do Iraque. Ele tinha pesquisas que diziam que os americanos eram favoráveis e fez a guerra para ganhar as eleições ao segundo mandato", acusou.

Lula reconheceu que o movimento islamita Hamas, responsável pela quebra do cessar-fogo, é "muito radical", mas comparou o potencial bélico de Israel contra o dos palestinos como o de "uma bomba diante de um fósforo".

Durante a inauguração de um parque com o nome de sua mãe, Doa Lindu, Lula conclamou palestinos e israelenses a construir a "paz definitiva", e pediu aos presentes uma salva de aplausos pelo fim da violência na região.

Leia também:

Leia mais sobre Faixa de Gaza

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.