Lula tenta articular retomada de Doha em Pequim

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveita a presença de líderes internacionais em Pequim, para a cerimônia de abertura da Olimpíada, para promover a retomada da Rodada Doha, de liberalização do comércio mundial. Em encontro com o presidente chinês Hu Jintao, na manhã desta quinta-feira, Lula pediu que os chineses voltem à mesa de negociações e disse que a estratégia de articulação incluiria a Índia e os Estados Unidos.

BBC Brasil |

"Eu conversei com o presidente (americano) Bush por telefone no domingo. Falei com o presidente Hu Jintao hoje de amanhã e pretendo ligar para o primeiro-ministro (indiano) Singh amanhã, porque estava quase tudo certo para ser concluído (na rodada Doha)."
Segundo o presidente, é necessário aliviar a tensão sobre os negociadores para que as tentativas de entendimento possam voltar à agenda em breve.

"Distensionar"

"Deixa distensionar um pouco e nós vamos retomar isso. Essas negociações são assim, são complicadas. Os interlocutores se desgastam, afinal de contas foram sete anos de conversas. Eu acho que vamos deixar a poeira baixar um pouco e vamos entrar em campo outra vez para ver se a gente retoma isso e faz um acordo", afirmou Lula a jornalistas que o acompanharam durante a visita oficial à Vila Olímpica, no começo da tarde.

O presidente Lula se disse "otimista" e espera ver o ressurgimento do diálogo em breve. "O dado concreto é que se a gente não retomar isso e não fizer um acordo nos próximos meses isso poderá demorar mais quatro ou cinco anos e será um prejuízo enorme".

"Nós chegamos tão perto depois de sete anos, e no Brasil nós costumamos dizer que não é possível morrer na praia depois de nadar tanto, então eu penso que nós estamos muito próximos e eu sou otimista", afirmou.

Questão pequena

Segundo o presidente, o desentendimento entre a China e a Índia com os Estados Unidos sobre as tarifas na salvaguarda para proteger mercados agrícolas em desenvolvimento de importações vindas dos países ricos - que foram a causa do fracasso das negociações em Genebra no mês passado - é um "problema pequeno".

"Ou seja, eu acho que isso será resolvido porque a China já tinha feito concessões para entrar na OMC e ela não poderia aumentar as concessões. Eu acho que há um clima para isso (a retomada de Doha)", disse.

O presidente também conversou sobre investimentos com o presidente chinês, Hu Jintao.

"Nós estamos convidando os chineses e os outros países do mundo a compartilhar dos investimentos que estamos fazendo no Brasil. Não é pouca coisa o que estamos fazendo, seja de investimento no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), seja de investimento da iniciativa privada".

No encontro com o líder chinês, Lula também defendeu a candidatura do Rio para as Olimpíadas de 2016 argumentando que a América do Sul nunca hospedou os Jogos e que os Estados Unidos já tiveram essa oportunidade diversas vezes.

Após o encontro com o líder chinês, o presidente Lula foi para a Vila Olímpica onde almoçou com os atletas brasileiros.

Pela tarde, ele se encontrará com empresários chineses e autoridades esportivas para promover a candidatura olímpica do Rio na Casa Brasil, que é um local montado para abrigar os eventos brasileiros que ocorrem paralelos aos Jogos.

À noite, a agenda presidencial prevê um jantar particular na embaixada brasileira sem participação da imprensa.

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