O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ligou na manhã desta quinta-feira para o presidente da Bolívia, Evo Morales, para tratar sobre a crise que atinge o país vizinho e que culminou na interrupção parcial de abastecimento de gás natural ao Brasil. O assessor de Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, disse que Lula manifestou apoio ao governo boliviano, além de preocupação pelo rápido restabelecimento da ordem ¿em respeito à lei do Estado Democrático do país¿.

Não tem havido nenhuma negligência por parte do governo brasileiro. Temos a esperança de que se encontre uma solução rápida para este problema a fim de evitar uma possível guerra civil, declarou Garcia. Após a ligação a Morales, Lula falou também com os presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, e da Venezuela, Hugo Chávez.

Durante a coletiva, Garcia ressaltou ainda que o governo brasileiro não irá tolerar, em nenhuma hipótese, a eventual chegada ao poder na Bolívia de um governo que não tenha sido eleito democraticamente. "Não toleraremos uma ruptura do ordenamento constitucional boliviano. O Brasil não reconhecerá nenhum governo que queira substituir ao governo constitucional da Bolívia", disse Garcia.

Em relação a declaração de Chávez sobre estar pronto a dar apoio armado ao país vizinho, Marco Aurélio ponderou, em coletiva nesta quinta-feira, que o momento é de apoio diplomático e não armado.

Nós estamos com todos os mecanismos de deslocamento preparados para ir até o local [dar apoio diplomático]. Iremos assim que seja julgado necessário e quem definirá isso é o próprio governo da Bolívia, disse.

O assessor reforçou ainda que o governo brasileiro tem duas preocupações centrais. Um é que os interesses nacionais [segurança energética] possam ser afetados e que esta situação acarrete problemas ainda mais graves para a Bolívia como uma guerra, declarou.

A crise política entre Morales e governadores do sul do país tem provocado conflitos violentos, com ameaça de interrupção no abastecimento de gás natural da Bolívia também para a Argentina.

Segundo a Petrobras, uma válvula de segurança do gasoduto da empresa Transierra, que abastece o Gasoduto Bolívia-Brasil, foi bloqueada por manifestantes na região de Yacuíba, e o campo de produção de Volta Grande, operado por outra concessionária, foi ocupado e sua produção paralisada.

Segundo o secretário, Morales confidenciou a Lula que está "pessimista" com o nível das conversações com a oposição, mas que tem interesse em restabelecê-las plenamente.

Com informações da Reuters

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