Lula sugere criar no Brasil fundo de pensão com renda do petróleo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse neste sábado no Chile, onde participa de encontro de lideranças progressistas, que o Brasil está interessado em criar no país algo semelhante ao fundo de pensão criado pela Noruega com os recursos gerados pela exploração do petróleo. Agora que encontramos muito petróleo no Brasil, estamos muito interessados em conhecer o fundo do petróleo que foi criado na Noruega, para que a gente possa criar algo que tenha similaridade, para que a gente utilize a riqueza do petróleo para ajudar a nossa gente e não apenas para queimar combustível, disse Lula.

BBC Brasil |

A afirmação foi feita pouco antes de um encontro bilateral com o primeiro-ministro norueguês, Jens Stoltenberg, que também participa da Reunião de Líderes Progressistas no balneário chileno de Viña del Mar.

O fundo da Noruega, conhecido como "Fundo de Petróleo", foi criado em 1990 e é administrado pelo governo, mas o dinheiro pertence aos habitantes do país.

Os recursos desse fundo funcionam ainda como reservas para proteger as finanças do país das turbulências internacionais.

No site oficial da Noruega no Brasil, afirma-se: "Um dia os recursos de petróleo acabarão e por este motivo é importante assegurar o bem-estar das gerações futuras, tendo o Governo norueguês criado um fundo de pensão baseado no rendimento do petróleo com diretrizes éticas rigorosas".

Entre os itens considerados "anti-éticos", que valem para o setor petroleiro, estão a poluição ou atos de corrupção.

Além de Lula e Stoltenberg, participam do encontro no Chile o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, o primeiro-ministro da Grã Bretanha, Gordon Brown, o primeiro-ministro espanhol, José Luiz Rodríguez Zapatero, e os presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, do Uruguai, Tabaré Vázquez, e do Chile, Michelle Bachelet, além de representantes de entidades e organismos internacionais.

Esta é a sétima reunião do grupo criado em 1999 e que começou a se reunir em 2000.

A expectativa é de que o grupo divulgue uma declaração, ao fim do encontro, condenando o protecionismo e defendendo políticas sociais e contra as mudanças do clima, nestes tempos de crise internacional.

Esta declaração, de acordo com os analistas chilenos Claudio Fuentes, Ricardo Israel e Guillermo Holzman, ouvidos pela BBCBrasil, podem servir de "orientação" para as discussões na reunião do G20, na quinta-feira, em Londres.

O Chile é um dos poucos países que participam desta reunião de líderes progressistas e que não integram o G20.Além do encontro com o primeiro-ministro da Noruega, Lula teve uma reunião com Bachelet e espera-se, de acordo com a programação oficial, que realize duas intervenções durante os debates com os outros líderes definidos como progressistas.

Ao falar com jornalistas noruegueses, Lula afirmou: "Somos parceiros em muitas coisas (da Noruega) e muito mais agora em época de crise, temos que juntar pessoas que têm pensamento mais ou menos similar. E construir alternativas de propostas que possam significar novos mecanismos de financiamento, novos mecanismos de investimentos para o mundo".

Na abertura dos debates, Bachelet disse que a globalização vive uma etapa de "desgaste", com a falta, por exemplo, de regulamentações no mercado financeiro.

"Esse é um momento progressista porque é uma oportunidade para avançarmos em temas como a economia, mas com atenção às mudanças climáticas e atenção ao social (...) Li, recentemente, artigo do presidente Lula dizendo que temos que dar atenção ao capital humano. E concordo totalmente", disse a presidente chilena.

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