PORT OF SPAIN - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recomendou neste sábado que seu colega norte-americano promova uma visita da secretária de Estado Hillary Clinton à Bolívia e à Venezuela para buscar uma melhora mais rápida nas deterioradas relações de Washington com os dois países.

A sugestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi feita na reunião dos 12 mandatários sul-americanos com Barack Obama nos bastidores da 5ª Cúpula da Américas em Trinidad e Tobago, indicou o chanceler brasileiro, Celso Amorim.

Os governos esquerdistas de Venezuela e Bolívia trocaram duras farpas com Washington durante o governo de George W. Bush e no ano passado ordenaram a expulsão dos embaixadores norte-americanos de suas capitais.

"O presidente Lula sugeriu que talvez a secretária de Estado (Hillary Clinton) ou outro representante dos Estados Unidos poderia visitar algum destes países", disse Amorim em alusão as nações sul-americanas com quem a maior economia do mundo teve "mais mal- entendidos" recentemente.

Reuters
Lula conversa com Evo Morales em Trinidad e Tobago
Na Cúpula de Trinidad e Tobago, que durará até domingo, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, indicou sua esperança de uma recomposição das relações de seu país com Washington depois de uma troca de gestos amistosos com Obama.

Lula, que com sua liderança de esquerda moderada impulsionou a imagem internacional do Brasil como uma força para o diálogo na região, "acredita firmemente que a eleição do presidente Obama criou uma oportunidade única de melhorar as relações entre América Latina e Estados Unidos", apontou Amorim.

"Essa oportunidade não pode ser perdida", acrescentou.

A reunião entre Obama e os presidentes da União de Nações Sul-Americanas (Unasur) permitiu aos chefes de Estado colocar "suas posições, eventualmente queixas", sobre "o comportamento da diplomacia americana em situações específicas" do passado, revelou Amorim.

O encontro serviu para discutir uma agenda comum e uma cooperação mais forte entre Estados Unidos e América do Sul, deixando para atrás uma tumultuosa etapa na relação bilateral, marcada pelo desencanto com as políticas do antecessor de Obama na presidência, George W. Bush.

Embargo

Os sul-americanos reiteraram a Obama seu pedido para que os Estados Unidos eliminem o embargo a Cuba, enquanto que vários fizeram referências à necessidade de que Washington facilite a chegada de mais recursos para enfrentar com êxito a crise econômica.

Alan García, presidente do Peru, enfatizou que a América do Sul não chegou ao encontro "com uma posição mendicante", ainda que tenha ressaltado que a região está fortemente conectada com a economia dos Estados Unidos e é importante para sua recuperação.

Obama manifestou seu interesse em ajudar a região no combate à disseminação da pobreza e propôs à presidente do Chile, Michelle Bachelet, que um representante norte-americano participe de um encontro de oficiais latino-americanos e caribenhos previsto para junho.

O presidente dos Estados Unidos mostrou "uma grande capacidade de escutar e refletir sobre o que escuta", disse Amorim, que cumprimentou também as recentes medidas de Obama de afrouxar o embargo que os Estados Unidos mantém sobre Cuba.

"Foi um pequeno passo na direção correta", expressou.

O chefe de Estado norte-americano ressaltou que "é uma época de mudanças" depois que vários de seus colegas sul-americanos lhe expressaram que é necessário remover o embargo, que consideram "anômalo".

"Foi uma reunião muito positiva, na qual o presidente Obama pediu que nossas queixas sejam consistentes", disse sobre o encontro a presidente argentina, Cristina Kirchner.

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