Lula se reúne com Fidel Castro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta sexta-feira, em Cuba, com Fidel Castro, com quem conversou durante cerca de duas horas e concordou 100% sobre a responsabilidade dos países desenvolvidos na atual crise mundial.

AFP |

Lula é amigo pessoal líder histórico comunista, que convalesce de um problema de saúde que o afastou do poder em julho de 2006, quando entregou a presidência a seu irmão Raúl Castro.

"Falei com Fidel sobre a crise e concordamos 100% que a maior responsabilidade é dos países ricos", disse Lula no Aeroporto Internacional José Martí, destacando que o líder comunista está "muito lúcido e ativo".

Lula manteve uma "longa entrevista com o chefe da revolução cubana, com o companheiro Fidel, que seria uma rápida conversa, de 15 minutos, mas acabou durando cerca de duas horas, e só aprendi ao ouvir os dois", revelou Raúl Castro no aeroporto.

O encontro ocorreu em um local não revelado, onde Castro, de 82 anos, se recupera.

Mais cedo, Lula revelou que Raúl Castro assistirá à cúpula da América Latina e Caribe prevista para dezembro, em Salvador, realizando, assim, sua primeira visita oficial ao exterior.

"Temos a alegria da notícia de que por fim sua excelência vai ao Brasil participar do primeiro encontro do continente que vamos ter com os países da América Latina e do Caribe sem a interferência de nenhuma potência".

A visita ao Brasil será a primeira de Raúl Castro ao exterior desde que assumiu o comando de Cuba.

No aeroporto de Havana, antes de retornar ao Brasil, Lula disse à imprensa que está "mais contente do que nunca" com os resultados de sua visita, e destacou o acordo firmado entre as estatais Cubapetróleo e Petrobras para que o Brasil opere um bloco de 1.600 km2, a uma profundidade de 500 a 1.600 m, na costa norte de Matanzas, na zona de Havana.

"Se houver possibilidade de encontrar petróleo em Cuba, não se preocupe, Raúl, que pode estar a 500 m de profundidade, a 1.000, a 3.000 m, a 7.000 m, vamos buscá-lo e vamos achá-lo, e transformá-lo em energia", disse Lula durante a assinatura do convênio.

Raúl Castro expressou sua "plena confiança" de que a Petrobras encontrará petróleo no Golfo do México, "porque os demais (Estados Unidos e México) o possuem, e porque já estamos extraindo algum, devido à capacidade da empresa brasileira".

Durante a visita, os dois líderes comemoraram o desenvolvimento positivo das relações bilaterais em diversos campos e trocaram idéias sobre assuntos de interesse regional, multilateral e internacional.

Lula também confirmou a Castro "a disposição de seu governo em continuar contribuindo para ressarcir os prejuízos", deixados em setembro na ilha pela passagem dos furacões Ike e Gustav.

As relações econômicas e comerciais cubano-brasileiras receberam um forte impulso durante a primeira visita de Lula este ano, em janeiro, quando convidou o presidente Raúl Castro a visitar o Brasil, e em maio, com a chegada do chanceler Celso Amorim, para tornar realidade dez acordos.

Segundo cifras oficiais cubanas, o intercâmbio comercial entre Cuba e Brasil superou em 2007 os 450 milhões de dólares, o que reafirmou o gigante sul-americano como o segundo parceiro comercial da ilha na América Latina depois da Venezuela.

mis/lm/LR

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