O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse estar preocupado com a possibilidade de que a crise política em Honduras se torne mais violenta.

Em uma entrevista exclusiva à BBC, nesta segunda-feira, em Paris, o presidente disse que "não podemos aceitar" que o governo interino de Honduras use violência para reprimir os simpatizantes do presidente deposto Manuel Zelaya.

"Os golpistas têm que entender isso: não é possível aceitarmos mais golpes na América Latina", disse ele. O presidente, no entanto, não deixou claro o que o Brasil poderia fazer caso a violência se alastre pelo país da América Central.

Pelos menos um manifestante foi morto no domingo, quando Zelaya tentou retornar ao país pela primeira vez desde que foi deposto pelos militares hondurenhos, no último dia 28 de junho.

Lula deu a entender ainda que Zelaya cometeu um erro ao tentar voltar ao país no fim de semana. "Era previsível que não iriam deixar ele voltar", afirmou Lula.

O presidente lembrou que a Organização dos Estados Americanos (OEA) tinha acabado de suspender Honduras devido ao golpe de Estado e "no mesmo dia ele tentou voltar". Lula, no entanto, disse que esse era um direito de Zelaya "já que ele foi eleito democraticamente".

Na entrevista, Lula manteve a posição do governo brasileiro de que o governo interino de Honduras "não pode ser reconhecido em hipótese alguma". Segundo Lula, a saída para a crise está na busca de uma mediação política no país. "Nós precisamos procurar uma interlocução, não com os golpistas mas com personalidades" da sociedade civil de Honduras.

No entanto, o presidente disse que o Brasil não está se oferecendo para ser o mediador. "Nós não nos oferecemos para mediar nada", disse ele. Para Lula, "para se ter legitimidade" qualquer mediador da crise hondurenha tem que ser chamado diretamente pelas partes envolvidas. Na opinião do presidente, o melhor mediador para a crise é a OEA.

Reunião do G8

O presidente Lula está em Paris , onde vai receber na terça-feira, na sede da Unesco, o Prêmio Incentivo da Paz Félix Houphouët-Boigny. Da capital francesa, Lula segue para a Itália, onde vai participar da reunião do G8 - o grupo dos países mais ricos do mundo mais a Rússia.

Na entrevista à BBC, Lula afirmou que vai defender na reunião na Itália o "fortalecimento do G20" como o grupo de países que pode lidar com a crise econômica mundial e com outros problemas mundiais.

Lula tem repetido que o G8 é um clube restrito que não tem mais condições políticas de resolver os problemas econômicos e sociais do mundo. Ele vem trabalhando para fortalecer o G20 e outros grupos nessas discussões, como o BRIC - grupo formado por Brasil, Rússia, China e Índia, os países emergentes com maior peso na economia mundial.

Entenda:

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