Lula rejeita sanções ao Irã e pede conversa com o país islâmico

PARIS (Reuters) - As forças ocidentais devem parar de condenar o Irã por causa de seu programa nuclear e, em vez disso, estabelecer conversas para promover a paz, disse neste domingo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Numa campanha diplomática crescente para ganhar um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), o Brasil tem adotado uma linha muito mais conciliatória no que tange ao Irã do que os aliados do Ocidente, como os Estados Unidos.

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"Acho que há muitas sanções e conversas insuficientes com o Irã", afirmou Lula, durante uma entrevista a três veículos de mídia francesa: TV5 Monde, rádio RFI e o jornal Le Monde.

O Ocidente suspeita que o Irã esteja tentando desenvolver bombas nucleares, embora Teerã diga que seu programa é voltado a uma geração de força pacífica.

O presidente norte-americano, Barack Obama, deu ao Irã até o final de setembro para aceitar uma oferta de Estados Unidos, Rússia, Grã-Bretanha, China, França e Alemanha para discutir benefícios comerciais caso Teerã deixe de lado o enriquecimento nuclear. Do contrário, o país enfrentará restrições ainda mais severas.

Lula rejeitou a ideia de novas sanções, pedindo aos líderes ocidentais que conversem com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

"Eu acho que o Obama deve conversar com ele, (o presidente francês, Nicolas) Sarkozy deve conversar com ele, (o primeiro-ministro britânico) Gordon Brown deve conversar com ele. Acho que todos devem", disse Lula.

"Parem de condená-lo. As autoridades do terceiro nível da ONU tomam decisões que punem o país e tornam-no mais e mais isolado. Será cada vez mais difícil chegar a um acordo", considerou Lula, falando por meio de um intérprete francês.

O presidente brasileiro deu uma entrevista justamente antes de uma visita de Sarkozy ao Brasil, que está entre os líderes que mais criticam Ahmadinejad e sua disputa a uma reeleição. Sarkozy tem dito repetidamente que os iranianos merecem um líder melhor que o atual.

Lula afirmou que disputas eleitorais são comuns em todo o mundo, dando como exemplo a eleição presidencial ocorrida em 2000 nos Estados Unidos. Ele disse ainda que outros países não devem se intrometer em assuntos internos do Irã.

(Reportagem de Estelle Shirbon)

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