Lula reitera proposta de mediar conflito no Oriente Médio

Em visita a Brasília, presidente sírio diz que Israel é obstáculo à paz; para Lula, conflito "transcende dimensões regionais"

EFE |

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira durante encontro com seu colega da Síria , Bashar al-Assad, que o conflito no Oriente Médio vai além de sua dimensão regional, reiterando sua proposta de ser mediador em possíveis negociações de paz. "O conflito transcende as dimensões regionais", disse Lula durante um brinde no almoço oferecido na sede da Chancelaria brasileira em homenagem ao presidente sírio, após um prolongado encontro com Assad.

AP
Presidente sírio, Bashar al-Assad (dir.), cumprimenta Lula ao chegar ao Palácio do Itamaraty, em Brasília
"Temos pressa em ver a região pacificada com todos seus povos vivendo em harmonia", acrescentou o presidente ao reiterar a oferta do Brasil de ajudar como possível mediador na busca de uma solução negociada do conflito.

Em resposta, Assad afirmou que, apesar dos esforços em busca da paz no Oriente Médio, "Israel sempre põe obstáculos" e "ameaça a região com suas armas nucleares".

Al-Assad afirmou que "os árabes tiveram diversos planos de paz para o Oriente Médio", mas que todos foram ignorados por Israel, que, além disso, os anulou por meio de ações armadas.

"Foi assim com os bombardeios ao Líbano em 2006, ainda é assim com o bloqueio à Faixa de Gaza e foi também com o recente ataque contra a frota " de navios que levaria ajuda humanitária ao território palestino, declarou.

"A Palestina é uma questão muito importante para todos os árabes e a solução dos problemas no Oriente Médio depende disso", declarou Assad, que também destacou o acordo alcançado por Brasil e Turquia com o Irã para a troca de combustível nuclear.

Apesar do acordo não ter convencido as grandes potências e ter sido insuficiente para evitar as novas sanções aprovadas contra o Irã no Conselho de Segurança da ONU, Assad considerou que serve como base para uma solução negociada à disputa causada pelo programa nuclear iraniano.

Mediação brasileira

Lula afirmou que a oferta de mediação brasileira foi a mensagem que transmitiu aos presidentes de Israel, Shimon Peres; da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas; e do Irã, Mahmoud Ahmadinejad , que visitaram o Brasil nos últimos meses.

Acrescentou que a oferta também foi apresentada nas visitas oficiais que fez em março a Israel, ao território palestino da Cisjordânia e à Jordânia, assim como em uma visita mais recente ao Irã . "Rejeitamos a tese de que o Oriente Médio está condenado a viver em conflito e seus habitantes condenados a conviver com a irracionalidade da guerra", afirmou Lula.

Segundo o presidente, "não haverá reconciliação verdadeira se o conflito deixar vencedores e vencidos", e ressaltou que a solução para os problemas na região tem de ser negociada e não imposta. Lula estendeu a oferta de mediação a Assad por considerar que a Síria tem um importante papel na região.

"Não por coincidência comecei minha primeira viagem oficial aos países árabes (2003) em Damasco. A Síria é um parceiro indispensável na busca da paz", afirmou.

Segundo Lula, cada vez que a situação no Oriente Médio se agrava, "todos os olhares se dirigem à Síria na busca de suas palavras". "A Síria tem de ser escutada", afirmou.

O presidente acrescentou que o Brasil defende a devolução das Colinas do Golan (ocupadas por Israel) à Síria, a coexistência de um Estado palestino com o Estado de Israel, o fim do bloqueio à Faixa de Gaza e a reconciliação entre a Síria e o Líbano.

"Defendemos um Estado palestino soberano e viável economicamente que possa conviver com o Estado de Israel", disse. "E isso só é possível com a unidade (dos palestinos). Contamos com a Síria para conseguir uma verdadeira integração entre os palestinos", acrescentou.

Além disso, Lula afirmou que o atual bloqueio a Gaza prejudica qualquer iniciativa de paz na região. "O incidente com a frota de ajuda humanitária mostra que é hora de levantar o bloqueio a Gaza. Esperamos o acesso imediato de material de construção aos assentamentos", indicou.

Após o almoço com Lula, Assad foi à sede do Congresso, onde se reunirá com autoridades da Câmara de Deputados e do Senado. Mais tarde, o presidente sírio viajará para São Paulo.

Assad, que realiza a primeira visita oficial de um chefe de Estado da Síria ao Brasil, chegou a Brasília vindo de Cuba, segunda escala de sua viagem pela América Latina, que também incluiu a Venezuela. O giro latino-americano termina na sexta-feira na Argentina.

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