Lula recebe amanhã Angela Merkel em plena ofensiva pelo etanol

Brasília, 13 mai (EFE) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá amanhã a chanceler alemã, Angela Merkel, em um momento em que seu Governo está decidido a lançar uma ofensiva diplomática em favor do etanol.

EFE |

Merkel iniciará em Brasília uma visita que a levará a São Paulo, a partir de onde irá, na quinta-feira, a Lima para participar da 5ª Cúpula América Latina-Caribe-União Européia (EU-LAC, em inglês).

A chanceler alemã iniciará depois sua primeira viagem oficial pela América Latina na Colômbia e no México.

Durante a visita de Merkel ao Brasil, deve ser assinado, amanhã, um acordo de cooperação energética que enfatizará a promoção dos biocombustíveis, sempre e quando cumprirem certos requisitos de sustentabilidade, como pretende impor a UE.

O Governo federal anunciou que dedicará este ano a uma "ofensiva diplomática" para tentar convencer o mundo de que o etanol que produz com cana-de-açúcar, ao contrário daquele que os Estados Unidos elaboram com milho, não influencia na atual crise de alimentos.

Um dos alvos dessa decisão política é precisamente a União Européia.

O país deseja se transformar em um gigante exportador de energias alternativas ao petróleo e persegue as enormes possibilidades do mercado comunitário que, por iniciativa alemã, aprovou a meta de usar 10% de biocombustíveis em sua matriz energética até 2020.

Fontes do Ministério das Relações Exteriores disseram à Efe que o Governo Lula acredita na influência que a Alemanha possa ter, em especial depois de uma recente visita do ministro do Meio Ambiente alemão, Sigmar Gabriel, que defendeu o etanol brasileiro, certo de que "não pressiona a fronteira agrícola sobre a Amazônia".

No plano multilateral, Lula e Merkel também discutirão as estagnadas negociações para um acordo de livre-comércio entre a UE e o Mercosul (Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai e Venezuela -em processo de adesão), que estão supeditadas aos resultados da Rodada de Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC) Segundo fontes oficiais, Lula insistirá em que a única maneira de desobstruir as discussões na OMC é uma redução dos subsídios agrícolas nos países mais desenvolvidos, os quais considera responsáveis pela atual crise de alimentos.

No terreno bilateral, Brasil insistirá em buscar alternativas para aumentar o comércio com a Alemanha, que no ano passado fechou em quase US$ 13 bilhões e ambos os Governos pretendem levar no curto prazo a US$ 20 bilhões.

Lula também apresentará a Merkel o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com o qual o Governo pretende captar investimento nacional e estrangeiro no valor de US$ 250 bilhões até 2010.

Após se reunir com Lula, Merkel viajará amanhã mesmo a São Paulo, onde jantará com empresários da Câmara Brasil-Alemanha e diretores da Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Na quinta-feira, visitará a fábrica da Volkswagen na cidade de São Bernardo do Campo, vizinha a São Paulo, que foi inaugurada em 1953 e foi o primeiro investimento em fabricação e montagem que a empresa fez fora da Alemanha. EFE ed/db

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