Jesús A. Rey.

Ponta Porã (MS).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou hoje seu compromisso de ajudar o Paraguai na construção de uma linha de tranmissão de energia entre a usina hidroelétrica binacional de Itaipu e Assunção e na luta contra os criminosos que operam na fronteira comum. Apesar de não especificar a fonte de financiamento da linha de transmissão de 500 quilowatts entre Itaipu e Villa Hayes, cidade paraguaia próxima a Assunção, Lula afirmou que "ao Brasil interessa a prosperidade e a estabilidade de nossos vizinhos". Lula fez um discurso após uma reunião com seu colega do Paraguai, Fernando Lugo, em um quartel de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, cidade vizinha à paraguaia Pedro Juan Caballero, que há uma semana foi abalada por um atentado contra um senador, no qual duas pessoas morreram. Lugo destacou que a linha de transmissão, assim como o projeto de uma segunda ponte bilateral, contribuirá para fortalecer a capacidade energética de seu país, que divide uma usina hidroelétrica também com a Argentina, a de Yacyretá. O presidente paraguaio acrescentou que também incentivará "projetos de caráter produtivo", assim como "a geração de emprego na zona de influência destes empreendimentos". O diretor paraguaio de Itaipu, Gustavo Codas, declarou que o projeto da linha de transmissão deve estar concluído em agosto para que as licitações tenham início. As obras devem terminar no final de 2012. Uma das fontes de financiamento da linha de transmissão, cujo custo oscila entre US$ 350 milhões e US$ 400 milhões e que em princípio deveria ser custeado pelo Brasil, é o Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul (Focem). Em declaração conjunta assinada por Lula e Lugo em 25 de julho de 2009 em Assunção, o presidente brasileiro também assumiu o compromisso de triplicar as indenizações recebidas pelo Paraguai pela cessão da energia que não consome em Itaipu. Mas esta e outras concessões, como a possibilidade de que o Paraguai comercialize diretamente sua energia excedente no sistema elétrico brasileiro, ficaram submissas à aprovação parlamentar em nos países. Por isso, Lula disse que "nem o presidente do Brasil, nem o presidente do Paraguai" podem tomar decisões sobre o assunto. Lula prometeu viajar pelo menos mais duas vezes ao Paraguai antes de deixar a Presidência, em 1º de janeiro de 2011. Uma delas serviria para a inauguração "da subestação de Villa Hayes" e a segunda, possivelmente em setembro, para o lançamento da "construção da segunda ponte sobre o rio Paraná, entre Foz do Iguaçu e Presidente Franco", no Paraguai. Com relação à onda de violência em Pedro Juan Caballero, Lula disse que o problema de segurança nas fronteiras é muito complexo e destacou que o tráfico de drogas "tem seus braços na política, no Parlamento, na Justiça". Antes da reunião com Lugo, Lula se encontrou com o senador paraguaio Robert Acevedo, que no último dia 26 sobreviveu a um atentado a tiros no qual morreram seu motorista e seu segurança. O ataque a Acevedo, do governista Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), aconteceu dois dias depois de Lugo declarar estado de exceção no departamento paraguaio de Amambay e outras regiões na fronteira com o Brasil para perseguir um grupo armado de esquerda acusado de assassinatos e sequestros. "Nossa cooperação será fundamental para derrotar a criminalidade, tenha ela a cara que tiver. O Paraguai poderá contar com o Brasil para realizar essa aspiração", ressaltou Lula, sem especificar as medidas de segurança em que pode avançar com o país vizinho. Acevedo alertou em entrevista à Agência Efe sobre a presença na fronteira de membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) e reivindicou que os dois presidentes tenham "pulso firme" na luta contra a criminalidade. No discurso concedido após um encontro com empresários brasileiros e paraguaios, Lula afirmou que compartilha com Lugo "o compromisso permanente de preservar e aprofundar o regime democrático em nossos países". "Não há mais espaço para rupturas institucionais e golpes militares em nossa região", afirmou. EFE ja/bba

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