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Lula quer pacificar região em Cúpula da Unasul

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta sexta-feira, em Bariloche, da reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) disposto a tentar pacificar a região após as disputas políticas trazidas à tona com o anúncio sobre o acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos, afirmou à BBC Brasil uma fonte do governo brasileiro que acompanha as discussões.

BBC Brasil |

O primeiro compromisso de Lula será um encontro com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e a expectativa é que o brasileiro tente acalmar as fortes críticas do líder venezuelano ao governo da Colômbia.

Segundo o diplomata ouvido pela BBC Brasil, Lula insistirá que a América do Sul é uma região "de paz" e que os assuntos militares devem ficar restritos ao conselho de defesa do grupo.

"Essa é uma discussão principalmente política. Nós já sabemos que são bases colombianas e que serão compartilhadas por militares dos dois países, mas com o comando da Colômbia", disse.

"Sabemos também que estas ações conjuntas dos militares dos dois países serão limitadas ao território colombiano. E descartamos que o objetivo seja vigiar a Amazônia brasileira", ressaltou.

EUA na Colômbia

Durante esta semana, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, pediu "garantias jurídicas" de que a maior presença americana na região se limitará ao espaço da Colômbia.

Após um encontro com autoridades colombianas em Bogotá, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que o governo de Uribe daria estas "garantias jurídicas" sobre a limitação das bases.

Para o professor de Relações Internacionais da Universidade San Andrés, Juan Gabriel Tokatlian, a presença de tropas americanas em sete bases colombianas poderia abrir espaço para a presença dos soldados nas regiões, especialmente na fronteira com o Brasil.

"As tropas estarão presentes em áreas sensíveis, como a Amazônia brasileira. Mas agora o importante é uma forte ação da diplomacia dos países (da Unasul) para se evitar ainda mais tensões na região andina", disse.

Na quarta-feira, o governo colombiano registrou uma queixa formal na Organização dos Estados Americanos (OEA) contra as "ingerências" de Chávez em suas políticas.

"Mas é a Colômbia que está criando problemas para a região, e não a Venezuela", disse a ex-vice-chanceler venezuelana, Maripili Hernández, às emissoras de televisão da Colômbia.

Ao mesmo tempo, o presidente boliviano, Evo Morales, contrário ao acordo militar, defendeu a realização de um referendo regional para que os eleitores da America do Sul opinem sobre o pacto Colômbia e Estados Unidos. Morales disse que apresentará a idéia na reunião desta sexta.

A expectativa, segundo um diplomata argentino, é de que na reunião da Unasul, prevista para durar pouco mais de três horas, os presidentes, acompanhados pelos ministros das Relações Exteriores e da Defesa, ouçam as palavras do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, sobre o acordo, mas é provável que também comentem por pedido de Uribe, sobre o maior investimento em armamentos nos diferentes países da região.

"No caso do Brasil, é transferência de tecnologia (em relação aos submarinos franceses)", disse o interlocutor brasileiro, antecipando o possível argumento do Brasil, no encontro.

Nos últimos tempos, segundo dados do Centro de Estudos Nova Maioria, de Buenos Aires, os países da América do Sul investiram 30% mais em armamentos em 2008 do que em 2007.

Renovação

"Não se trata de corrida armamentista. Mas principalmente de renovação dos velhos estoques", disse à BBC Brasil o professor de relações internacionais, Jorge Battaglino, da Universidade Torquato di Tella.

O governo colombiano pediu que a reunião da Unasul seja transmitida ao vivo por diferentes emissoras de televisão. Mas no fim da noite de quinta-feira, não se sabia a decisão da presidente da Argentina, Cristina Kirchner.

O chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, voltou a dizer, nesta quarta-feira, que a idéia não é pedir aval sobre o acordo durante a reunião da Unasul.

"O acordo já é um fato. É importante para a Colômbia e, ao mesmo tempo, achamos que deveríamos discutir, na região, o combate ao terrorismo e narcotráfico", disse.

Nesta quinta-feira, em Buenos Aires, o sub-secretário do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado, Christopher McMuller, disse que Estados Unidos não pretendem instalar bases na região. E que o acordo com a Colômbia está baseado nos princípios das Nações Unidas e da OEA.

Cooperação

"É um acordo de cooperação militar. Não queremos e não temos planos de construir bases militares", disse.

Esta será a segunda reunião da Unasul em menos de um mês. Na anterior, em Quito, no Equador, por sugestão dos presidentes Lula e Cristina foi marcada a desta sexta.

Uribe não esteve em Quito porque as relações entre Colômbia e Equador estão interrompidas desde o ano passado, quando o presidente do Equador, Rafael Correa, acusou a invasão de tropas colombianas em seu território.

No governo brasileiro, ainda se espera que a próxima reunião da Unasul conte com a presença de algum representante do governo do presidente Barak Obama.

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