Lula quer que G20 discuta reforma dos mercados de futuros

Viña del Mar (Chile), 28 mar (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu hoje que o Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e principais emergentes) discuta, sem adiamentos, na reunião de 2 de abril em Londres, a reforma dos mercados de futuros, para evitar uma nova crise financeira.

EFE |

Na abertura da 6ª Cúpula Progressista, no balneário de Viña del Mar, no Chile, Lula também exigiu a reforma dos órgãos multilaterais para dar voz e voto aos países em desenvolvimento.

"Não podemos ser prisioneiros de paradigmas que foram derrubados", advertiu o presidente, que ressaltou que os governantes progressistas do mundo devem liderar este processo transformador.

"É uma oportunidade que não devemos desperdiçar", disse Lula, que chamou a atenção para o fato de a 6ª Cúpula de Líderes Progressistas acontecer pela primeira vez na América Latina, "em um momento que não tem precedentes" nos últimos anos.

Lula pediu ao anfitrião da cúpula, o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, que coloque na agenda da reunião a discussão inadiável da reforma dos mercados de futuros.

"Não podemos deixar de discutir a situação dos mercados de futuros; se não fizermos isso, vamos voltar à crise do petróleo e das matérias-primas agrícolas nas bolsas de todo o mundo", advertiu.

"O mundo inteiro está pagando o preço do fracasso de uma aventura irresponsável daqueles que transformaram a economia em um gigantesco cassino", criticou.

Lula advertiu de que a difícil situação mundial exige dos governantes progressistas "uma atitude coerente".

"Precisamos refletir sobre o que passou e propor alternativas", afirmou Lula, que chamou a atenção para o fato de a conferência de Viña del Mar ocorrer cinco dias antes da reunião do G20, na qual os membros do Grupo buscarão soluções à crise financeira.

O presidente afirmou que a comunidade internacional espera da reunião do G20 respostas para frear a deterioração da economia e a perda de emprego.

"Não podemos correr o risco de adiar soluções profundas e estruturais; caso contrário, a crise botará a perder os adiantamentos que os países em desenvolvimento alcançaram com tanto esforço e sacrifício na luta contra a pobreza e a exclusão", disse Lula.

Ele também advertiu do risco de voltar a recorrer ao "protecionismo e à autarquia".

O presidente brasileiro elogiou o fato de, na América Latina, triunfarem as teses da esquerda e de quase toda a região ser governada por líderes que representam "segmentos historicamente marginalizados". EFE mf/db

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