Lula quer participação de países pobres na construção de nova ordem econômica

(corrige título). San Salvador, 30 out (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva exigiu hoje na 18ª Cúpula Ibero-Americana, realizada em San Salvador, que a voz dos países mais pobres seja ouvida na elaboração de uma nova ordem econômica, pois são vítimas e não culpados pela crise.

EFE |

Lula chegou ontem à noite à capital salvadorenha, depois da inauguração oficial da cúpula, e hoje assistiu à primeira sessão plenária. Após o evento, posou para uma foto junto com os outros chefes de Estado, antes de viajar para Cuba.

O presidente cobrou "uma maior participação dos países em desenvolvimento" em uma solução.

"O momento é de decisões políticas que permitam redefinir o papel do Estado para renovar o apoio aos setores produtivos e aumentar o investimento em educação e formação profissional, para criar as bases de um mundo melhor e mais justo", disse.

A Espanha, que recebeu o apoio explícito de vários líderes ibero-americanos para que participe da reunião do G20 - entre eles do México e Brasil -, considera que a voz da região deve estar presente nas decisões para reformar o sistema financeiro global.

O presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, defendeu que seja levada em conta a nova realidade geopolítica mundial para decidir os grupos que vão impulsionar essas mudanças no sistema financeiro.

No entanto, Zapatero não se referiu em nenhum momento de forma explícita à reunião do G20 nem à aspiração espanhola de estar presente na reunião do dia 15 de novembro em Washington.

Já o presidente do México, Felipe Calderón, considerou necessário "criar uma nova ordem econômica internacional que permita um desenho equilibrado entre Estado e mercado, com uma regulação muito mais severa do sistema, para reduzir o impacto da crise na economia real".

"É preciso ter urgência na criação de uma política coordenada na região, que permita potencializar o investimento público e privado", afirmou.

A presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, pediu que os países ibero-americanos adotem uma postura comum para levar à reunião do G20 "não apenas a voz de um país, mas de uma região".

"Um modelo, o neoliberal, que se achava indestrutível, fracassou", disse Cristina, que defendeu o multilateralismo com voz dos países emergentes.

A chefe de Estado chilena, Michelle Bachelet, defendeu a reforma das instituições multilaterais com a presença dos países emergentes e em desenvolvimento em seus órgãos de Governo.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, se declarou contrário a "salvar" o capitalismo, diante da crise global, e propôs a democratização da economia mundial.

Já o presidente da Guatemala, Álvaro Colom, pediu que região ibero-americana se separe de projetos alheios e desenvolva "seu próprio modelo" contra a crise, que considerou não apenas financeira e de alimentos, mas também de "princípios e valores".

Hoje, durante a cúpula, chefes de Estado e de Governo concordaram em promover a participação política dos jovens para conseguir sociedades mais justas.

Os governantes avaliam, entre outras idéias, uma iniciativa para pedir uma reunião de governantes na ONU, segundo um documento ao qual a Agência Efe teve acesso.

Fontes diplomáticas afirmaram que essa proposta é avalizada pela Venezuela e seus aliados mais próximos na região, como Equador, Bolívia, Cuba e Nicarágua, que compartilham uma linha radical de liquidar o sistema econômico capitalista e avançar rumo ao "socialismo do século XXI".

Em relação ao tema central "Juventude e Desenvolvimento", Zapatero propôs a promoção do uso partilhado de infra-estruturas científicas e tecnológicas entre os países da região.

O presidente mexicano, Felipe Calderón, disse que as saídas para a crise passam por potencializar o comércio entre as nações da América Latina e acelerar os processos de integração política e econômica, para que se dê "uma esperança nova aos jovens".

Morales declarou que "nunca mais pode haver analfabetos", ao lembrar algumas experiências negativas de sua vida, e explicou que seu Governo decidiu criar três centros universitários indígenas, que darão aulas nas línguas aimara, quíchua e guarani.

O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, evocou a memória do arcebispo assassinado de San Salvador, Óscar Arnulfo Romero, para reivindicar aos Governos ibero-americanos a construção de "novas realidades" para a juventude da região. EFE mmg/rb/plc

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