Roma, 27 mar (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer mais representação para o Brasil no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco Mundial (BM), e uma cadeira no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Lula faz essas declarações em entrevista publicada hoje pela revista italiana "L'Espresso", na qual afirma que também apoia que a África tenha "um ou inclusive dois" postos no Conselho de Segurança.

Sobre a Venezuela, Lula diz que é um país cuja democracia, segundo ele, pode "não ser compartilhada", mas acrescenta que ninguém pode dizer que o sistema não seja democrático.

"O presidente (Hugo) Chávez ganhou cinco ou seis eleições. Eu, só duas", disse.

Lula afirma que é preciso "respeitar as culturas e as tradições políticas de cada país".

No entanto, afirma que, embora seu nível de popularidade permitisse "propor uma emenda à Constituição" e garantir um terceiro mandato, não seria positivo.

"Chávez quis permanecer no Governo. No que diz respeito a mim, sou da ideia de que mudar de presidente é importante para fortalecer a democracia", diz.

Lula afirma que, após seis anos de mandato, começava a se sentir "desmotivado", mas que a crise econômica é "quase estimulante", já que lhe deu "uma sacudida" que dá vontade de "lutar".

O presidente brasileiro afirma que, durante as crises, é "mais necessário investir", e por isso o Brasil investirá em "ferrovias, estradas, canais, diques, pontes, aeroportos, portos e projetos imobiliários" como nunca visto nos últimos 30 anos.

Lula está "convencido" de que a economia brasileira chegará ao final do ano com uma porcentagem crescimento "positiva", mas que são necessárias "novas decisões políticas que dependem dos Governos dos países ricos".

As novas descobertas de petróleo ajudarão a "resolver" os problemas da pobreza e da educação, segundo Lula, mas ele esclarece que o Brasil não quer ser "um país exportador de petróleo".

"Queremos ser um país que exporta os derivados do petróleo, mais gasolina, mais petróleo de alta qualidade. Os investimentos foram planejados com a base em um preço de US$ 35 por barril. Agora, estamos a US$ 40 por barril, temos ainda uma boa margem de operabilidade", afirma.

Lula também fala de sua participação na cúpula do Grupo dos Vinte (G20, países ricos e principais emergentes), em Londres, em 2 de abril, e afirma que se impressionou com o novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. EFE fab/an

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