Brasília, 21 ago (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou hoje com seu colega dos Estados Unidos, Barack Obama, a quem propôs uma reunião com os outros chefes de Estado da União de Nações Sul-americanas (Unasul) sobre o acordo que negocia com a Colômbia para o uso de até sete bases militares.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, disse aos jornalistas que a conversa durou cerca de meia hora e que Obama respondeu que "avaliará a possibilidade de a reunião acontecer".

Ainda segundo Amorim, Lula ressaltou que o Brasil respeita a soberania colombiana e sugeriu ao colega americano que proponha uma data e um local para o encontro.

De acordo com o chanceler brasileiro, Lula disse a Obama que "há uma sensibilidade na região" em relação ao tema das bases militares e que "essa sensibilidade é ainda maior" em alguns países, numa aparente alusão a Venezuela, Equador e Bolívia.

Na conversa que teve com os jornalistas, o ministro reiterou que no Brasil existe certa preocupação com o acordo entre Colômbia e EUA, que permitirá a este país utilizar bases militares em solo colombiano.

Nesse sentido, acrescentou Amorim, Lula manifestou ao seu interlocutor a importância de serem oferecidas "garantias formais, juridicamente válidas, de que o equipamento e o pessoal (que forem enviados à Colômbia) não sejam usados fora do estrito propósito declarado, que é o combate ao tráfico de drogas, às Farc e ao terrorismo".

Lula comentou ainda que "seria muito útil ter uma reunião com Obama", como a que houve entre ele e os presidentes da Unasul em Santo Domingo, paralelamente à Cúpula das Américas, destacou o chanceler.

Segundo Amorim, "Lula voltou a ressaltar a esperança que o presidente Obama representa para a região" e sugeriu que o próprio chefe de Estado americano convoque o encontro com os líderes da Unasul.

Os presidentes da aliança sul-americana se reunirão na próxima sexta-feira, na cidade argentina de Bariloche, numa cúpula extraordinária convocada para debater o acordo militar entre EUA e Colômbia.

Amanhã, Lula deve conversar sobre o assunto com o chefe de Estado boliviano, Evo Morales, que o receberá na região do Chapare.

Segundo fontes oficiais, Lula dirá a Morales, um dos maiores críticos aos acordos entre Bogotá e Washington, que é preciso evitar que a polêmica sobre o tema "gere retrocessos no processo de integração sul-americana".

O porta-voz de Lula, Marcelo Baumbach, disse que, em relação à cúpula de Bariloche, o presidente brasileiro espera que possa haver "uma discussão franca, ponderada e objetiva", que produza "resultados". EFE ed/sc

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