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Lula propõe à Indonésia parceria estratégica em etanol

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs neste sábado uma parceira estratégica com a Indonésia em áreas como a produção de etanol, minimizando a importância de críticas de que as plantações de alimentos para serem transformados em biocombustível destróem as florestas tropicais do país. Lula, que encerrou um giro pelo sudeste asiático após assinar ainda entendimentos nas áreas de educação e facilitação de visitas de pessoal técnico e diplomático, defendeu, como vem fazendo, a necessidade de um mercado de combustíveis limpos, que reduza a dependência mundial de petróleo e combustíveis fósseis.

BBC Brasil |

Entretanto, o presidente se esquivou de comentar o detalhe de o "parceiro estratégico" ser acusado de multiplicar plantações de palma, matéria-prima do biocombustível local, nas florestas da ilha de Kalimantan, uma das principais do arquipélago e um remanescente da mata tropical nativa.

"É muito difícil para o presidente da República visitante dizer se as pessoas de um país podem ou não plantar e produzir etanol", afirmou Lula ao anunciar o acordo, durante uma entrevista coletiva concedida ao lado do presidente Susilo Bambang Yudhoyono. "Cada país sabe concretamente em que região e que tipo de coisas pode plantar."
"A única coisa que eu sei é que, para que a gente possa produzir etanol ou biocombustível, há uma exigência de fazer um zoneamento agroecológico para saber em cada área que tipo de coisa nós poderemos plantar e qual o efeito disso no meio ambiente."
Já Yudhoyono, que em outras ocasiões na mesma entrevista fez comentários adicionais às respostas de Lula, não se manifestou sobre o tema.

Juntos, Brasil e Indonésia detêm a maior parte das florestas tropicais do mundo. O Brasil liderava um ranking de área desmatada divulgado pelo Banco Mundial em abril deste ano. Por sua vez, a Indonésia desmata a um ritmo mais rápido - 2% ao ano - e, segundo a ONG Greenpeace, já perdeu 72% de sua mata ancestral.

Assim como o etanol de milho americano ou o de beterraba europeu, a Indonésia faz seu biocombustível a partir de um alimento, o óleo de palma, amplamente utilizado na cozinha local.

O país quer alcançar o objetivo de elevar a participação dos biocombustíveis para 5% da matriz energética até 2025. Nesta semana, o Ministério de Energia do país anunciou planos de exigir que as fábricas utilizem biocombustíveis ou outras fontes limpas para fornecer pelo menos 2,5% de sua necessidade energética total.

Coincidências
Além de estabelecer a parceria em etanol, a visita de Lula a Jacarta serviu para ressaltar a coincidência de Brasil e Indonésia em vários outros temas de política internacional.

Ambos os governos integram o G-20, atuando juntos na queda-de-braço para tentar a redução do protecionismo agrícola por parte dos países desenvolvidos no âmbito da Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Além disso, os países cobram das nações desenvolvidas metas de redução de carbono a fim de conter o aquecimento global, outro fator a colocar as florestas tropicais em risco.

Para Lula, "um bom acordo na OMC" resolveria o problema da inflação dos alimentos, porque ofereceria "incentivos para os países pobres produzirem mais, se diminuírem os subsídios americanos ou se abrir o mercado europeu aos produtos agrícolas".

"A única coisa que não podemos aceitar é pedirem para os pobres do mundo não comerem. Peçam para produzirmos mais e vamos produzir, porque temos competência para fazer isso", disse.

O presidente também fez um duro chamado aos países ricos para que tomem a dianteira quanto a medidas de redução dos gases que causam o efeito estufa, sem evitem submeter os emergentes a medidas que sacrifiquem seu ciclo de crescimento.

"Não é a Indonésia nem o Brasil que vêm, durante cem anos, emitindo cada vez mais gases de efeito estufa", disse Lula. "Agora cada presidente tem uma tabela com números de quanto de gás seus países emitiram, e cada um pode discutir de forma muito objetiva quanto diminuir nas suas emissões de gases."
"Mas por favor, não peçam para os países pobres não crescerem. Nós temos o direito de crescer e melhorar a vida do nosso povo", afirmou, rejeitando a possibilidade de que os emergentes sejam obrigados a sacrificar seu crescimento para além de sua responsabilidade na elevação da temperatura do globo.

"Quem sabe se um dia tivermos um equilíbrio no padrão de consumo da humanidade, todos nós seremos menos culpados pelo estrago que estamos fazendo no planeta."

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