Lula pedirá a Obama aproximação com Venezuela e Cuba

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve pedir ao presidente norte-americano, Barack Obama, que os Estados Unidos estabeleçam um diálogo com os governos de esquerda de Cuba e Venezuela, e ajudem os países da América Latina a resolver problemas econômicos e sociais. Os presidentes têm reunião marcada para este sábado, em Washington.

Redação com Reuters |

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Lula encontra Obama neste sábado
Lula encontra Obama neste sábado
"O que eu quero é que os Estados Unidos olhem para a América Latina e para a América do Sul com um olhar amistoso" disse Lula na semana passada. "Somos um continente democrático e pacífico, e os Estados Unidos deveriam olhar para a produção e o desenvolvimento, não só para o tráfico de drogas e o crime organizado."

As relações entre os Estados Unidos e grande parte da América Latina se complicaram durante o governo de George W. Bush. A guerra do Iraque e a polêmica prisão militar da baía de Guantánamo, encravada em Cuba, alimentaram o antiamericanismo latente em todo o subcontinente, uma região traumatizada por um longo histórico de intervenções norte-americanas.

Muitos também discordam do uso de sanções dos EUA para punir governos rivais, e da suposta obsessão de Washington com o combate ao tráfico de drogas.

Lula, que busca dar ao Brasil uma voz mais influente no cenário global, criticou os EUA por retirarem preferências comerciais da Bolívia no ano passado, por causa de uma suposta falta de empenho de La Paz no combate à produção de cocaína.

O presidente afirmou que Washington deveria ajudar a Bolívia a combater a pobreza e as drogas por meio do aumento do comércio e dos investimentos.

Elogiado por Wall Street por adotar políticas simpáticas aos mercados, Lula disse que pedirá a Obama que melhore suas relações com o presidente socialista da Venezuela, Hugo Chávez, crítico contumaz dos EUA, e que acabe com o embargo contra Cuba, em vigor há 47 anos.

"É impossível não falar no embargo cubano. É simbólico da política dos EUA para a região", disse o chanceler Celso Amorim, na quarta-feira, a jornalistas.

Esperanças

O Brasil deposita muitas esperanças na visita de Lula a Washington, e se vangloria do fato de Lula ser um dos primeiros chefes de Estado a ser recebido pelo novo presidente norte-americano, depois dos primeiros-ministros de Grã-Bretanha e Japão.

As autoridades brasileiras também ficaram animadas com semelhanças apontadas nas posições políticas e na trajetória de ambos. Lula é o primeiro presidente brasileiro da classe operária, e Obama é o primeiro negro a ocupar o cargo. "Há uma afinidade de pensamento que irá nos permitir aprofundar a relação", disse Amorim.

As decisão de Obama de fechar a prisão de Guantánamo e a promessa de cortar alguns subsídios agrícolas a fim de usar esses recursos para melhorar a merenda escolar foram aplaudidas no Brasil, uma potência agrária que defende o livre comércio dos produtos agrícolas.

Mas a crítica do representante comercial dos EUA às salvaguardas propostas na Rodada Doha para países em desenvolvimento foram um balde de água fria na esperança de que Lula pudesse convencer Obama a promover uma rápida conclusão deste processo de abertura comercial global, lançado há sete anos na capital do Qatar.

A magnitude da crise econômica nos EUA também pode fazer com que seja difícil que Lula chame a atenção de Obama para Cuba e Venezuela, quanto mais para a reivindicação brasileira de redução das tarifas de importação do etanol nos EUA.

"(Lula) não vai resolver o problema do etanol nem receber promessas de investimento, muito menos avançar Doha em meio à crise global", disse o ex-embaixador brasileiro em Washington Rubens Barbosa. "E o Congresso dos EUA está aprovando uma reforma minimalista do embargo a Cuba."

"Ele obterá o reconhecimento de que o Brasil é um parceiro estratégico por causa da sua crescente importância econômica e do seu papel como moderador na região", acrescentou. "Devido à relativa indiferença dos EUA em relação à América Latina, isso não é nada desprezível."

Caio Blinder, correspondente do Último Segundo em NY, comenta o encontro de Lula e Obama; assista ao vídeo:


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