Lula pede responsabilidade de países ricos em cortes de CO2

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu aos demais países que se reuniram nesta quarta-feira durante a cúpula do G8, no Japão, que discutam metas de redução das emissões de CO2 a partir de dados concretos sobre a responsabilidade de cada um. Lula apresentou uma tabela de um instituto americano de energia que indica os Estados Unidos como campeão absoluto das emissões globais de carbono (5,969 bilhões de toneladas ao ano, ou 21% do total), com a China em segundo lugar (18% do total) e o Brasil com apenas 1,28% das emissões.

BBC Brasil |

Quando consideradas as emissões proporcionais à população, a tabela indica que os Estados Unidos emitem 20 toneladas de carbono por habitante ao ano, enquanto o Brasil seria responsável por apenas 1,9 tonelada por habitante.

"Precisamos tomar decisões com base nos números", defendeu Lula.

Pagar a conta
O presidente brasileiro sugeriu que os países mais ricos assumam uma responsabilidade histórica sobre as emissões de carbono no passado e não exijam dos países em desenvolvimento que cortem suas emissões a ponto de prejudicar seu crescimento econômico.

Segundo ele, apesar de a China já ser o segundo maior emissor absoluto de CO2 do planeta, deve ser poupada de cortes drásticos como os que deveriam ser assumidos pelos países mais ricos.

"O que a China faz hoje os ingleses já fizeram durante a Revolução Industrial no século 18", afirmou o presidente. "Quem tem que pagar a conta são os responsáveis por já terem emitido muito CO2."
Os países do G8 encerraram sua reunião de cúpula ampliada sem conseguir resolver o impasse entre países ricos e emergentes sobre metas de redução de emissão de gases causadores do efeito estufa.

Os líderes reunidos no Japão disseram, entretanto, ter chegado a uma "visão comum" sobre a necessidade de ação para lidar com as mudanças climáticas.

"Nós, líderes das maiores economias do mundo, desenvolvidas e em desenvolvimento, nos comprometemos a combater a mudança climática com nossas responsabilidades comuns, mas diferenciadas e respectivas capacidades", diz o comunicado.

O encontro contou com a participação dos líderes do G8 e dos chefes de Estado do G5 - formado por Brasil, China, Índia, México e África do Sul - e da Austrália, Indonésia e Coréia do Sul.

Em um comunicado divulgado após o encontro, os líderes concordaram que a mudança climática "é um dos principais desafios de nosso tempo".

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