Lula pede que América do Sul tome precauções contra crise e especulação

Tucumán (Argentina), 1 jul (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu hoje aos chefes de Estado sul-americanos para tomarem precauções diante da crise mundial de alimentos e energia, além de se precaverem contra a especulação, para não acabarem importando problemas gerados nos Estados Unidos e na Europa.

EFE |

"Precisamos tomar cuidado e debater sobre essas questões", disse Lula em seu discurso no plenário da 35ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, realizada hoje em Tucumán (Argentina).

Lula se queixou da "falta de clareza" existente sobre as razões da crise mundial de alimentos, "que ainda não foi bem explicada pelos países ricos".

O presidente disse que essa crise tem certas "particularidades", pois os "povos pobres estão comendo mais e coisas que não podiam comer há nove anos", algo que "desafia" os países sul-americanos a "produzirem mais alimentos".

Desse ponto de vista, Lula disse que a oferta insatisfatória em matéria de alimentos será, a longo prazo, uma solução para o desenvolvimento dos países agrícolas da região.

"O que está se tornando grave é que há muita coincidência entre a crise da especulação imobiliária nos Estados Unidos e as perdas que envolveram os bancos europeus e que em nenhum momento assumiram responsabilidades. Parecia que não tinha crise e que os bancos centrais europeus não haviam perdido dinheiro", disse Lula.

O presidente destacou que, apesar do que se esperava, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) "não fez um ajuste na taxa de juros, pois possivelmente os EUA querem utilizar o preço baixo do dólar para compensar seu déficit comercial".

"Temos que ter cuidado para (evitar) que uma crise que está a quilômetros se transforme em uma crise nossa", advertiu Lula.

Lula afirmou que os bancos centrais europeus perdem "milhões de euros", mas que se essa situação acontecesse na América do Sul, "enviariam 500 organizações internacionais para intervir".

"Temos que discutir estas questões porque os custos de inflação em alimentos serão recebidos por nossos países, com crises que depois derivam em missões do Fundo Monetário Internacional (FMI). Já conhecemos os resultados: recessão, desemprego e diminuição na qualidade de vida das pessoas", disse Lula.

O presidente disse que o Mercosul, como região produtora de energia e alimentos, deveria investigar a especulação nos mercados de futuro, que faz com que os preços futuros dos bens básicos impactem nos atuais valores desses produtos.

"Também é preciso investigar a especulação com o petróleo, que tem um alto impacto no custo da agricultura, próximo a 30%", afirmou.

Lula, que assume hoje a Presidência semestral do Mercosul, antecipou que apresentará todas essas questões na próxima reunião do Grupo dos Oito (G8, grupo dos sete países mais industrializados e a Rússia), que acontecerá no dia 7 no Japão.

"Pedimos que os países ricos nos tratem com o mesmo respeito e atenção que nós damos", concluiu. EFE nk/wr/plc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG