Lula pede aumento da produção de alimentos para conter onda de inflação

Haia, 10 abr (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que os recentes aumentos nos preços dos alimentos indicam que é necessário produzir mais em nível mundial, mas sem culpar pela inflação os biocombustíveis.

EFE |

Em declarações concedidas após uma reunião com o primeiro-ministro holandês, Jan Peter Balkenende, Lula afirmou que o aumento dos preços dos alimentos se dá pelo fato de "as pessoas pobres estarem começando a comer", em lugares como China, Índia e América Latina.

"A solução é produzir mais, e não me digam que o aumento de preços é por causa dos biocombustíveis", afirmou o presidente brasileiro, que iniciou hoje uma visita oficial de dois dias à Holanda.

Lula afirmou que no Brasil há produtos como leite e feijão, cujos preços sofreram mais pressões em nível doméstico, mas afirmou que esta é uma questão "fácil de resolver", já que o país tem território suficiente para produzir em maior escala.

O presidente respondeu assim a uma pergunta sobre o aumento da inflação no país, que em março subiu para 0,48%, o maior nível para o mês desde 2005.

Além disso, a taxa acumulada nos três primeiros meses do ano foi de 1,52%, acima dos 1,26% registrados no mesmo período de 2007; e o índice anualizado até fevereiro foi de 4,73%, igualmente superior aos 4,61% registrados no período de análise anterior.

Já Balkenende ressaltou que a inflação em nível internacional também passa por um momento de crescimento, impulsionada pelo aumento dos preços da energia, e por isso insistiu na importância dos biocombustíveis.

Antes da reunião, Balkenende declarou que a questão da sustentabilidade ambiental dos biocombustíveis ganha cada vez mais espaço.

"É preciso produzir mais, mas de forma sustentável", destacou o primeiro-ministro holandês.

Durante a coletiva, Lula reiterou que o país quer aprofundar a cooperação com a Holanda no setor de biocombustíveis, e lembrou que a União Européia estipulou como meta fazer com que, em 2020, 10% dos carburantes utilizados no bloco sejam de origem biológica.

"Existem enormes possibilidades de aumentar a cooperação bilateral", afirmou Lula, que lembrou que o Brasil "vive um momento muito especial", no qual são combinados crescimento com baixa inflação e aumento simultâneo da demanda interna e externa.

Também lembrou que o Brasil tem "um potencial estupendo" em biocombustíveis, especialmente em bioetanol, embora também comece a trabalhar no biodiesel.

"Muitas empresas holandesas já investiram no Brasil, e quero voltar com a certeza de que, após esta viagem, a confiança entre os dois países aumentou", acrescentou.

Balkenende lembrou que a Holanda é o segundo maior investidor externo no Brasil depois dos Estados Unidos, e lembrou que seu país "tem muito a oferecer" aos brasileiros em áreas como transporte, logística e agricultura.

Também insistiu no objetivo de apoiar o Brasil na reforma da ONU e na promoção dos direitos humanos, e insistiu na luta contra a mudança climática e a favor dos biocombustíveis, "mas sempre seguindo o critério de sustentabilidade".

O primeiro-ministro parabenizou Lula pela aceleração do crescimento econômico de seu país, pelo combate à fome e pela melhora da coesão social registrada durante seu mandato. EFE mt/ev/gs

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