Lula pede à União Africana que condene o golpe de Estado em Honduras

SIRTA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu nesta quarta-feira à União Africana (UA) que condene o golpe de Estado de domingo, em Honduras, durante uma reunião de cúpula de chefes de Estado africanos inaugurada em Sirta (Líbia).

Redação com agências internacionais |

    "Queria pedir que, em seu comunicado final, esta reunião inclua uma negativa ao golpe de Estado que acaba de ocorrer em Honduras, no domingo passado, e que o presidente eleito democraticamente volte ao poder", afirmou Lula sob aplausos durante a abertura da cúpula.

    Lula foi convidado a falar durante a 13ª Assembleia da União Africana, organizada pelo dirigente líbio Muamar Kadhafi.


    Lula se encontra com Kadhafi na 13ª Assembleia da União Africana / AP

    Abertura da Cúpula

    Lula, que fez um dos discursos de abertura da cúpula, afirmou que o futuro do Brasil está ligado ao da África, que considerou uma das prioridades de sua política externa, e pediu que o país latino-americano e o continente "escrevam juntos sua história".

    Em seu discurso, Lula destacou que, na situação atual de crise econômica mundial, "é tempo para que o Brasil e África iniciem novas normas de cooperação econômica sem a intervenção estrangeira".

    "Há um provérbio que diz que, se não quer que os outros escrevam por você, escreva você mesmo sua história. Brasil e África devem escrever juntos sua história e seu porvir comum", afirmou, no primeiro discurso de um chefe de Estado brasileiro como orador convidado em uma cúpula africana.

    Lula disse que, há alguns anos, os países ricos tomavam a África e a América Latina como uma das causas de seus problemas, enquanto agora são considerados parte integrante para resolver a crise econômica mundial.

    "O Brasil não veio à África para se desculpar do passado colonial, nós queremos ser verdadeiros parceiros no desenvolvimento e na cooperação", disse Lula, ressaltando que "juntos podemos fazer grandes coisas para desenvolver nossas economias".

    O presidente disse que o continente africano é uma das prioridades de sua política externa, dentro de uma "dinâmica real" de cooperação além das "simples palavras", e sustentou que o futuro do Brasil "está vinculado ao da África".

    Lembrou que, no Brasil, há 10 milhões de habitantes de origem árabe e africana que "enriquecem a cultura de nosso país, no qual vivemos juntos em perfeita comunhão".

    Além disso, destacou que, desde sua chegada ao poder, visitou 20 países africanos e aumentou consideravelmente a representação diplomática brasileira no continente, até 34 embaixadas, a maior presença em comparação aos outros países do mundo.

    Anunciou ainda que seu governo prevê abrir em breve um escritório da União Africana no Brasil, e ressaltou os desafios comuns em matéria de desenvolvimento e luta contra a pobreza.

    "A cooperação sul-sul é uma força e é preciso que se possa traduzir em uma troca de conhecimentos e experiências para realizar o desenvolvimento sustentável", disse, acrescentando que a experiência brasileira mostra que "a produtividade reduz a pobreza e cria emprego"

    Lula também indicou que o Brasil está "ao lado" da África para apoiar seus esforços em prol da paz e da segurança, uma tarefa que, segundo ele, "não é fácil", devido aos conflitos que atingem o continente, entre outros, "os nascidos do período colonial".

    Leia mais sobre 13ª cúpula da União Africana

      Leia tudo sobre: hondurasunião africana

      Notícias Relacionadas


        Mais destaques

        Destaques da home iG