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Lula pede a Obama nova relação dos EUA com A.Latina

César Muñoz Acebes. Washington, 14 mar (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pediu hoje na Casa Branca a seu colega americano, Barack Obama, que enterre o machado de guerra contra a Venezuela, Cuba e Bolívia, evite o protecionismo e estabeleça uma nova relação com a América Latina.

EFE |

Lula foi hoje o primeiro presidente latino-americano a se encontrar na Casa Branca com Obama, que se reunira com o presidente mexicano, Felipe Calderón, pouco antes de jurar seu cargo.

No encontro, que não aspirava a conseguir resultados específicos, mas um contato entre os dois governantes mais importantes do continente americano, Lula afirmou que reza mais por Obama que por ele mesmo e que, dados os problemas que ele herdou, "não gostaria estar em seu lugar".

"Parece que você tem falado com minha mulher", respondeu o presidente americano, dando a entender que Michelle o advertira sobre as dificuldades que encontraria.

A principal reivindicação de Lula foi contra o perigo de uma guinada protecionista em Washington, já que seu Governo se queixou da inclusão no pacote de estímulo nos Estados Unidos da cláusula "Buy American", que privilegia a compra de produtos nacionais.

Obama disse reconhecer a importância do comércio como motor econômico e afirmou que o "objetivo deveria ser, pelo menos, não regredir" na abertura comercial.

"Pode ser difícil para nós fechar um monte de acordos comerciais no meio de uma crise econômica", reconheceu.

As energias renováveis foram outro assunto principal do encontro e, nessa área, Obama admitiu que os Estados Unidos "têm muito que aprender com o Brasil".

Ambas as nações contam com um acordo para promover o biocombustível em terceiros países, mas ao mesmo tempo, os EUA mantêm uma tarifa de US$ 0,54 por galão de 3,8 litros, taxando a importação de etanol brasileiro para proteger seus produtores.

Obama reconheceu que essa é uma "fonte de tensão" entre os dois países, mas disse que "não vai mudar da noite para o dia".

Ambos os presidentes também acertaram a criação de um grupo de trabalho ministerial para coordenar suas propostas para a cúpula do G20, que acontecerá em 2 de abril, em Londres.

Lula pediu, em particular, que o grupo tome medidas para evitar a saída do dinheiro dos mercados emergentes.

"Se não fizermos com que volte a fluir o crédito, a crise pode se agravar", advertiu.

Como no tema econômico, no terreno político Lula atuou na reunião mais como um porta-voz da América Latina do que como um defensor dos interesses particulares do Brasil.

"Os Estados Unidos deveria ter um olhar de colaboração com a América Latina, não de fiscal", disse Lula em entrevista coletiva na embaixada brasileira depois do encontro na Casa Branca.

"O que eu disse ao presidente Obama e o que acho que vai ocorrer é que é necessário que haja uma aproximação da Venezuela, de Cuba e da Bolívia", afirmou.

Lula assinalou que uma boa ocasião para promover esta aproximação será a Cúpula das Américas, que reunirá em Trinidad e Tobago os chefes de estado de todo o continente, em meados de abril.

Essa reivindicação se enquadra no desejo do Governo brasileiro que "os EUA abandonem essa noção de adversários e amigos, e que aceite a diversidade da América Latina", disse à agência Efe Peter Hakim, diretor do centro de estudos Diálogo Interamericano.

Lula disse que os Estados Unidos não deveriam lutar contra as drogas na América Latina e que, em seu lugar, os próprios países da região deveriam tomar a iniciativa.

Nesse sentido, afirmou que proporá na próxima reunião da União de Nações Sul-americanas (Unasul) a criação de um conselho para o combate ao narcotráfico.

Obama revelou na Casa Branca que por ser criado no Havaí, acha muito importante ver as praias do Rio de Janeiro e que "em breve" visitará o Brasil.

"Suspeito que o partido Republicano se encantaria que eu viajasse pela Amazônia e talvez que me perdesse lá", provocou. EFE cma/jp

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