Lula pede a Obama fim do embargo a Cuba e nova política para A.Latina

Costa do Sauípe (Bahia), 16 dez (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu hoje ao governante eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, uma mudança na política em direção à América Latina, o fim do embargo a Cuba e o fim da violência no Oriente Médio.

EFE |

Lula fez esses pedidos em seu discurso que encerrou o primeiro dia de debates da Cúpula da América Latina e o Caribe, que termina amanhã na Costa do Sauípe, na Bahia.

O encontro reúne pela primeira vez todos os países da região sem a presença dos Estados Unidos ou da União Européia (UE).

Segundo o presidente, se esses pedidos forem atendidos, será possível considerar que a vitória eleitoral de Obama não foi apenas de um simbolismo excepcional por ser o primeiro negro a governar os EUA.

"Se essas três coisas acontecerem, eu penso que além do simbolismo da eleição de um negro, eu acredito, cada vez mais, que Deus existe", afirmou.

"A eleição de um negro para presidir a nação mais rica do mundo, que há 40 anos tinha assassinado Luther King, não é pouca coisa.

Como simbolismo, é um simbolismo excepcional", assegurou.

Acrescentou que uma das coisas que mais deseja do futuro Governo de Obama é uma mudança na política dos Estados Unidos em direção à América Latina e o Caribe.

"E o outro (pedido) é que, efetivamente, tome a atitude de colocar fim ao bloqueio a Cuba, que não tem mais explicação, que não tem mais explicação econômica, que não mais explicação política, ou seja, não existe nenhuma razão", disse.

O último pedido do presidente foi "o fim da violência no Oriente Médio. A quem interessa tantos conflitos?", questionou.

Segundo Lula, a possibilidade de uma nova política americana para a América Latina e o fim do embargo coroarão as grandes transformações na região nos últimos oito anos.

"Houve um tempo em que o companheiro (presidente venezuelano) Hugo Chávez estava sozinho. Quem imaginava, há dez anos, o nosso querido Evo Morales ser presidente (da Bolívia)? Quem imaginava que um bispo da Teologia da Libertação fosse Presidente do Paraguai?", disse em alusão também a Fernando Lugo.

Lula também se referiu à chegada à Presidência argentina de Néstor Kirchner, ex-governador de Santa Cruz, que foi substituído na Casa Rosada por sua esposa, Cristina Fernández de Kirchner, assim como à presença da governante chilena, Michelle Bachelet, na cúpula.

"Posso citar outros exemplos", disse o presidente brasileiro, que destacou que todas essas mudanças fizeram com que fosse possível que o Grupo do Rio desse as boas-vindas hoje a Cuba como novo membro do principal fórum de concertação política da América Latina.

"E eu acho que isso culmina com esse pequeno grande gesto. Graças a essa mudança do perfil político-ideológico da nossa América Latina, a gente pôde fazer essa pequena reparação aos companheiros de Cuba. Trazê-los primeiro para o Grupo do Rio para depois levá-los para muito mais longe, junto com os latino-americanos e os caribenhos", afirmou. EFE cm/mh

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