Lula negocia encontro de Obama com América do Sul sobre Colômbia

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está negociando com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, um encontro do mandatário norte-americano com os países da América do Sul. O objetivo é retomar a interlocução, arranhada após o episódio das bases militares na Colômbia.

Reuters |

Por iniciativa do Brasil, Lula e Obama conversaram nesta sexta-feira e trataram da polêmica proposta de aumento do efetivo militar norte-americano em bases colombianas e das condições para o retorno do presidente deposto Manuel Zelaya a Honduras.

Segundo uma fonte do governo, Lula insistiu ser necessário um gesto dos Estados Unidos para se aproximar da região, citando a reunião de Trinidad e Tobago, primeiro encontro de Obama com as nações sul-americanas, considerado positivo para o relacionamento dos EUA com a América do Sul.

Essa relação, no entanto, sofreu fissuras por conta do acordo com a Colômbia negociado, segundo Venezuela e Bolívia, às escuras. O presidente norte-americano prometeu avaliar a possibilidade do encontro, mas não há data definida.

Lula se prontificou a afinar posições junto aos países vizinhos na reunião da Unasul, marcada para a próxima sexta-feira em Bariloche, Argentina.

Ainda de acordo com a fonte, que falou sob condição de anonimato, Lula disse a Obama que não tem interesse em isolar qualquer país da região e ouviu do colega a disposição de restabelecer um nível de diálogo prometido durante a campanha eleitoral e após ter assumido a Casa Branca.

Sobre Honduras, Lula manifestou sua percepção de que o governo interino do país está à vontade após o golpe em que militares retiraram Zelaya do poder e o expulsaram do país. Lula ainda manifestou a necessidade de uma atuação mais firme dos EUA em relação a Honduras.

No dia 12, em visita ao Brasil, Zelaya pediu que Lula intercedesse junto ao governo dos EUA para que não reconheça nenhum presidente eleito em Honduras por um processo comandado pelo poder interino.

Obama, por outro lado, teme ser acusado de intervencionista e busca o respaldo da Organização dos Estados Americanos (OEA) para intensificar sua oposição ao regime golpista. A reivindicação do Brasil é de que a Casa Branca congele contas bancárias de hondurenhos nos EUA.

O Brasil já suspendeu as atividades de colaboração técnica, educacional e militar com Honduras, bem como análises de pedidos de financiamentos em infraestrutura. A economia hondurenha é extremamente dependente dos EUA, daí a importância estratégica do país para pressionar e restabelecer o poder de direito em Honduras.

Segundo a fonte, Obama indicou que é possível avançar nas restrições ao país, mas que só deve decidir após a ida de uma missão da OEA prevista para semana que vem.

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